sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

A quebra da bolsa

Há 80 anos, a quebra da Bolsa de Nova York lançou os Estados Unidos na maior recessão econômica da história. E, como, na crise na crise atual, naquela também o desequilíbrio se espalhou por todo o mundo.

A data de 24 de outubro de 1929 en¬trou para a história como a Quinta-Feira Negra. Nesse dia, o valor das ações ne¬gociadas na Bolsa de Valores de Nova York começou a despencar, e o pânico, a tomar conta dos in¬vestidores. Não era apenas um susto. O fim de semana foi seguido por uma segunda e uma terça-feira catastróficas, quando milhões de títulos lançados no mercado não encontraram comprado¬res. Multidões perplexas aglomeraram-se diante do prédio da bolsa, em Wall Street. Em questão de horas, pequenos poupadores e mega-investidores viram todas as suas economias escoar pelo ralo, o que deu início à maior crise econômica da história dos Estados Unidos (EUA), a Grande Depressão.
Dias após o crack (quebra, em inglês) da bolsa, no começo de novembro, as ações da indústria perderam mais de um terço de seu valor. Entre 1929 e 1932, a cotação caiu em média 85%, e mais de 9 mu bancos e 85 mil empresas decre¬taram falência. A redução dos salários chegou a 60% e mais de 13 milhões de norte-americanos foram demitidos. O Central Park, na luxuosa Manhattan, transformou-se num imenso acampa¬mento de desempregados.
A Grande Depres¬são foi resultado da combinação de três fatores: a expansão do crédito bancário, a especulação finan¬ceira e a superpro¬dução numa época em que o mundo perdia poder aqui¬sitivo. A década de 1920 foi um período
de pleno desenvolvimento e prosperida¬de para os EUA, mas terminou sem um consumo forte o suficiente para dar conta de toda a produção norte-americana. O mercado de ações de Nova York, no entanto, não parava de se valorizar e, as¬sim, atraía milhares de investidores, que compravam ações, muitas vezes tomando empréstimos bancários. Não havia segu¬rança nem dinheiro vivo para garantir o montante de empréstimos. A euforia em torno dos lucros, entretanto, favorecia a especulação. O auge da alta ocorreu em 3 de setembro. Mas, três semanas depois, a bolha estourou.
A crise atingiu também o setor agrope¬cuário. Sem mercado para absorver toda a produção, o preço dos alimentos caiu. Para estocar o excedente, os agricultores toma¬ram empréstimos, que não conseguiram pagar. Por fim, eles perderam suas terras. O período mais difícil da crise econômica seguiu até 1933. Mas seus efeitos nefastos foram sentidos até as vésperas da II Guer¬ra Mundial, iniciada em 1939.

Quebradeira geral

A crise arrastou inicialmente os países cuja economia era ligada à dos Estados Unidos. As nações européias - par¬ticularmente a Alemanha - ainda se recuperavam das perdas sofridas com a I Guerra Mundial e dependiam dos empréstimos e investimentos norte-americanos. No auge da crise, meta¬de da força de trabalho alemã estava desempregada. Os prejuízos rolaram em cascata para Reino Unido, França, Itália, Japão, Bélgica, Holanda, Áustria e Canadá. Entre os britânicos, o desem¬prego chegou a 23%. O Japão também ressentiu-se da crise norte-americana. Entre 1929 e 1931, o valor das exporta¬ções japonesas despencou 50% e a renda real dos trabalhadores caiu para um terço. Calcula-se que em 1932, em todo o mundo, o número de desempregados tenha chegado a 30 milhões.
Os exportadores de produtos agrí¬colas, como Brasil, Argentina e Nova Zelândia, tiveram de lidar com um imenso excedente de produção que não encontrava mercado. No Brasil, na época grande produtor de café, a redução das exportações e a queda no preço do grão levaram à falência centenas de empresas, principalmente em São Paulo. O aumento das tarifas alfandegárias norte-americanas, como forma de proteger os produtores locais, complicou ainda mais a situação geral, e o comércio internacional foi reduzido a um terço do que era.

New Deal (novo acordo)

À época da quebra da bolsa, o poder político dos EUA estava nas mãos dos republicanos, e o presidente era Herbert Hoover. As medidas tomadas por ele - como a elevação das taxas de juro
e a instituição das tarifas alfandegárias sobre as importações - não consegui¬ram impedir a catástrofe econômica e social que assolou o país nos anos se¬guintes. Para alguns especialistas, tais medidas até agravaram a situação.
Em plena Grande Depressão, em 1933, o democrata Franklin Delano Roosevelt (1882-1945) assumiu a Presidência dos EUA e lançou um programa de reformas econômicas e sociais chamado New Deal (Novo Acordo, em inglês). Influenciado pelas idéias do economista britânico John Keynes (1883-1946), Roosevelt aplicou em quatro mandatos consecu¬tivos uma política de desenvolvimento baseada era investimentos estatais. Os técnicos que cercavam Roosevelt acredi¬tavam que para vencer a crise provocada pela superprodução era preciso aumen¬tar o mercado consumidor. O governo norte-americano investiu em grandes obras públicas e abriu frentes de trabalho como forma de criar empregos. Fixou salários mínimos, limitou a jornada de trabalho e am¬pliou o sistema de previdência social. Roosevelt ainda fundou órgãos federais para regulamentar a atividade dos diversos setores econômicos e im¬plantou mecanismos de controle do cré¬dito. Na prática, o New Deal acabou se tornando um modelo de regulamentação da atividade econômica pelo Estado.
Para combater a crise no campo, foi aprovada a Lei do Ajustamento Agrícola (AAA, sigla para Agricultural Adjustment Act), que propunha que os agricul¬tores reduzissem a produção em troca de indenização. Parte da safra que havia sido plantada antes da lei de 1933 chegou a ser destruída. Com uma produção menor, o governo conseguiu aumentar o preço dos produtos agrícolas e levar maior equilíbrio ao setor rural.
Apesar da oposição de industriais e banqueiros ao New Deal, por causa das concessões trabalhistas e do déficit orçamentário provocado pelo progra¬ma, Roosevelt foi reeleito em 1936, de forma triunfal, numa demonstração de popularidade que lhe conferiu ainda maiores poderes para dar continuidade às mudanças. Até 1937, a política do New Deal reduziu pela metade o número de desempregados nos EUA e aumentou em 70% a renda nacional.
A economia norte-americana ganhou novo impulso com a entrada dos Es¬tados Unidos na II Guerra Mundial, em 1941. A demanda dos países euro¬peus por produtos industrializados e armamentos estimulou a produção industrial. Ao fim da guerra, os EUA saíram do conflito como grandes vito¬riosos, consolidando-se como potência militar e econômica.
Apesar do papel fundamental da po¬lítica do New Deal, muitos economistas acreditam que a Grande Depressão só tenha sido superada em razão da forte demanda por armamentos e equipamen¬tos de sustentação aos exércitos, que impulsionaram a produção industrial durante a II Guerra Mundial.

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