sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Matriz de energia

Energia

Sem energia não há sociedade humana. Essa afirmação cate¬górica é tão verdadeira quanto o fato de que sem energia não haveria sequer seres humanos. Todas as formas de energia provêm do Sol e são armazenadas na natureza. Nosso corpo vive por processar carboidratos, gorduras e proteínas, capazes de liberar energia para manter nossa temperatura média, de 37 graus centígrados, e nossa sobre¬vivência, nos movimentar, trabalhar,. respirar e pensar. A sociedade vive da energia retirada principalmente dos derivados de petróleo. Ela é necessária para a existência e o funcionamento da sociedade, pois é apenas uma ampliação em larga escala dessa exigência no pró¬prio corpo humano.
Por isso, todas as nações buscam per¬manentemente fontes de energia para garantir essas mesmas atividades es¬senciais: sobreviver (cozinhar e tomar banho), movimentar-se (transportes), trabalhar (indústria, comércio e agricul¬tura), manter a temperatura ambiente (calefação e ar condicionado) e pensar (lazer, informática etc).
Neste momento do século XXI, a hu¬manidade vive o mesmo dilema de uma pessoa comilona e obesa que se vê, de repente, com muita gordura no corpo e correndo o risco de ficar sem comida. As fontes tradicionais de energia estão se esgotando num futuro não muito dis¬tante, e, simultaneamente, o planeta está armazenando energia demais no lugar errado, o que provoca o aquecimento global da atmosfera.
Ao queimar materiais como le¬nha, petróleo, xisto, carvão, gás na¬tural e outros, o homem utiliza apenas parte da energia do sol armaze¬nada neles; a outra parte é liberada na atmosfera, sob a fornia de gases, que tam¬bém retêm calor. Em todos os casos, esta¬mos queimando ou liberando carbono.
Em razão disso, a atmosfera está se tor¬nando obesa de carbono, principalmente na forma de dióxido de carbono (C02). Da mesma maneira que uma pessoa obesa tem de mudar a dieta alimentar, o ser humano precisará diversificar sua cesta energética e utilizar menos o petróleo, que era seu combustível mais calórico, económico e fácil. Os problemas atuais de energia e meio ambiente são duas faces da mesma moeda.

Matriz de energia

Todos os países calculam periodicamen¬te quantos recursos possuem de energia, quanto gastam e em quais usos. Esse con¬junto é a matriz de energia, e no Brasil ele é acompanhado e consolidado num relatório anual do Ministério de Minas e Energia chamado Balanço Energético Nacional. Para ser eficiente, o balanço é um estudo deta¬lhado que registra os recursos de energia primários (petróleo, xisto, carvão mineral, lenha, cana-de-açúcar, mamona, urânio e água), os secundários (óleos cru e diesel, gasolina, bagaço de cana, álcool, biodiesel, carvão vegetal e eletricidade), as fornias de uso (mecânica, nuclear etc.) e os setores de consumo, como transporte, indústria, comércio e residências.
Manter a oferta de energia em cres¬cimento na matriz e mudá-la quando preciso é um desafio permanente de cada nação. Além de ser necessário dispor de cada recurso, é preciso disponibilízá-lo de acordo com sua forma preferencial de uso e fazê-lo chegar aos locais de con¬sumo a um preço viável. O gás natural, por exemplo, é mais eficiente do que a eletricidade para gerar calor e aquecer a água do banho em países de inverno rigoroso, mas é necessário canalizá-lo até os imóveis. Países como o Japão e a França não dispõem de grande volume de recursos hídricos e têm pouco ou nenhum petróleo, Eles importam o petróleo e seus derivados e utilizam usinas nucleares em larga escala para oferecer eletricidade.
Em razão desses fatores, uma das ca¬racterísticas históricas das matrizes ener¬géticas é mudar lentamente. As últimas alterações significativas na matriz mundial ocorreram após a primeira crise de preços do petróleo, em 1973. Para reduzir a depen¬dência do petróleo, os países desenvolvidos ampliaram primeiramente a construção de usinas nucleares. Essa opção, porém, passou a ser muito questionada após os acidentes nos Estados Unidos, em Three Mile Island, e na Ucrânia, em Chernobyl (agora, diante da necessidade de reduzir a emissão de gases do efeito estufa, passou a ser vista com outros olhos). Na etapa seguinte, acentuou-se o uso de gás natural para calefação e em usinas termelétricas.
Com a alta do preço de petróleo e apreo-cupação com o aquecimento do clima, uma nova mudança está sendo discutida mun¬dialmente, a partir dos resultados do Brasil com a fabricação de carros flexfuel com motores bicombustível, que queimam ga¬solina e álcool. Em 2007, pela primeira vez a cana-de-açúcar foi a segunda maior fonte de energia na matriz brasileira, com 15,7% do total, à frente dahidreletricidade (14,7%); só ficou atrás do petróleo (36,7%).
No ano passado, o total de produção de energia renovável e não renovável no Brasil ficou muito próximo de 50% cada um (veja napág. 48"). Nesse aspecto, nosso país tem sido destaque permanente na imprensa mundial e em instâncias internacionais do setor de energia.

Substituir é o lema

Trocar a gasolina por álcool hidratado c o óleo diesel por biodiesel (produzido com mamona, dendê, soja etc.) tornou-se o tema do momento. Primeiramente porque o pe¬tróleo é nobre demais como matéria-prima para ser apenas queimado em motores, e também porque o Brasil já mostrou que é possível, com planejamento, substituí-lo com alguma rapidez. De acordo com o balanço de 2005 da Agência Internacional de Energia (AIE), quando se observa ape¬nas o setor de transportes, os derivados de petróleo respondiam por mais de 90% dos combustíveis utilizados no mundo, e essa participação chegava a uma média de 96,7% no conjunto dos 30 países-membros da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico (OCDE) - que agrupa as nações mais ricas do planeta.
É lógico reduzir o uso específico de pe¬tróleo como combustível porque há outros materiais bastante empregados, que - ainda que emitam gases de efeito estufa, como o carvão mineral e o gás natural - não servem preferencialmente para mais nada a não ser para queimar. O petróleo possui vários usos industriais, como na fabricação de plásticos, por exemplo.
De acordo com dados da AIE, a queima de carvão mineral (retirado do subsolo) respondeu por 25,3% da energia mundial em 2005, atrás apenas do petróleo, com 35%. E esse percentual deve aumentar, na corrida para substituir o petróleo caro onde dá, como em caldeiras e fornos industriais. Mudar os combustíveis de transporte, por¬tanto, é uma das proposições mais viáveis do momento e pode-se afirmar, com alguma margem de certeza, que no decorrer deste século novas tecnologias deverão substituir a dos motores de combustão, como a de baterias elétricas de grande potência ou a de motores movidos a hidrogénio.
O Brasil tem interesse em criar merca¬dos para exportar álcool combustível de cana-de-açúcar e também carros flex e defende sua adoção como um caminho para frear o aquecimento global. A proposta em princípio interessa aos Estados Unidos, que dividem conosco a liderança na produção mundial de álcool (no caso deles, a partir do milho), e à índia, que possui terras e clima para o plantio de cana. Durante os últimos meses, porém, essa proposta passou a rece¬ber críticas que afirmam que sua adoção em larga escala poderia reduzir a produção de alimentos e encarecê-los. O Brasil procurou rebater essas críticas na última Conferência Mundial das Nações Unidas para a Agricul¬tura e a Alimentação, realizada em maio de 2008, em Roma . Os países interessados em biocombustíveis querem garantia de abastecimento, e, num primeiro momento, nações como a China e o Japão discutem a possível adição de álcool anidro à gasolina em seus postos, para reduzir os gastos com a importação de petróleo e a poluição atmosférica.
Cotação do petróleo em alta
O petróleo é formado da decomposi¬ção de matéria orgânica, como animais e plantas soterrados há milhões de anos. Sua extraçào e seu uso em larga escala começaram apenas na segunda metade do século XIX, mas tornou-se rapidamente o produto de uso mais amplo na matriz energética mundial. Ele é um composto de carbono muito rentável para o custo que oferece, em relação a outros energéticos. De um barril de petróleo extraímos vários subprodutos com moléculas que contêm diferentes quantidades de carbono, como querosene comum e de aviação, óleo com¬bustível, óleo diesel, gasolina, gases de uso industrial e doméstico (etano, metano, propano e butano), parafina e nafta. Esta última é uma importante matéria-prima da indústria, da qual se extraem eteno, propeno, benzeno, tolueno e xilenos para produzir plásticos, polímeros, vinis, tintas, solventes, removedores e tecidos sintéti¬cos, principalmente o náilon. Porém, mais da metade do petróleo extraído é transfor¬mada em combustível para motores.
Quando queimado em quantidade equivalente, o petróleo produz o dobro da energia liberada pelo carvão mineral. Assim, a partir de sua descoberta foram criadas máquinas movidas a óleo, gaso¬lina e querosene, mais eficientes do que as máquinas a vapor, alimentadas com carvão, que haviam impulsionado a Revo¬lução Industrial a partir do século XVIII. Todo o desenvolvimento económico do século XX e muito de seu progresso tec-nológico estão ligados ao uso do petróleo. Por sua importância, ele está no centro das questões económicas e também de problemas estratégicos e geopolíticos mundiais. Mas, diferentemente de vezes anteriores, seu preço está subindo não necessariamente em razão de conflitos, mas porque o consumo está elevado.
As principais reservas mundiais de pe¬tróleo estão no Oriente Médio. Segundo a AIE, as reservas mundiais comprovadas de petróleo em 2005, por regiões, eram de 1.160 bilhão de barris (mais de um trilhão), dos quais 742 bilhões (64%) estavam no Oriente Médio, principalmente na Arábia Saudita, no Ira, no Iraque, nos Emirados Árabes Unidos e no Kuweit. Seguiam-se a Ex-União Soviética e a Europa, com 140 bilhões, e a América Central e a do Sul, com 103 bilhões. A América do Norte aparece apenas com 59 bilhões de barris, apesar de incluir o maior consumidor mundial: Estados Unidos.

Quando se analisa o esgotamento de reservas, o que se faz é o seguinte:

> soma-se a quantidade de reservas de cada país;
> dividem-se as reservas pelo volume extraído anualmente.
Feitas as contas com os dados até 2005, alguns países aparecem na lista da AIE em situação pouco favorável (o que só pode mudar se novas reservas de grande porte encontradas ou se o ritmo de extração diminuir). Argentina, Dinamarca e Noruega, por exemplo, deverão esgotar suas reservas em 2014, e os EUA, em 2019. As reservas do Brasil tinham previsão de esgotar-se em 2024, mas isso foi antes da descoberta das duas megarreservas de óleo e gás batizadas de Tupi e Carioca, na bacia de Santos

Para saber mais leia Atualidades Vestibular – editora Abril

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