sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Globalização

CONSENSO DE WASHINGTON - A expressão surgiu em 1989 e se refere à política que os EUA preconizavam para a Amé¬rica Latina. Essa orientação, também chamada de neoliberalismo, se tornou o modelo que o FMI e o Banco Mundial propõem para todos os países.

NEOLIBERALISMO - Prega o domínio do livre mercado sobre a economia e, portan¬to, a diminuição do papel do Estado na vida econômica. Entre suas característi¬cas estão a eliminação de barreiras aos in¬vestimentos estrangeiros, privatizações, redução de gastos sociais e desregulamentação do mercado de trabalho.
GLOBALIZAÇÃO - Salto ocorrido no fim do século XX no processo de interde¬pendência entre governos, empresas e movimentos sociais. O termo descreve uma situação propiciada pela internet, de troca instantânea de informações e conseqüente fechamento de negócios.
OMC - A Organização Mundial do Co¬mércio foi fundada em 1995 como um fórum de discussão para regulamentar e fiscalizar o comércio internacional dentro dos moldes da globalização. A Rodada Dona, aberta em 2001 para negociar avanços no comércio interna-cional, deveria ter acabado em 2006, mas entrou em um impasse, opondo os países ricos às nações emergentes.
Origens

Para entendermos a globalização, é preciso saber que o fenômeno em si co¬meçou há muito tempo. Os primeiros passos rumo à conformação de um mer¬cado mundial e de uma economia global remontam aos séculos XV e XVI, com a expansão ultramarina européia.
Quando Cristóvão Colombo che¬gou à América, em 1492, deu início ao que alguns historiadores chamam de primeira globalização. O desenvolvi¬mento do mercantilismo estimulou a procura de diferentes rotas comerciais da Europa para a Ásia e a África, cujas riquezas iriam somar-se aos tesouros extraídos das minas de prata e ouro do continente americano.
Essas riquezas forneceram a base para a Revolução Industrial no fim do século XVIII, que, com o tempo, desenvolveu o trabalho assalariado e o mercado consumi¬dor. As descobertas científicas c as invenções provocaram grande expansão dos setores industrializados e possibilitaram o cresci¬mento da exportação de produtos.
Começaram a surgir, no fim do sécu¬lo XIX, as corporações multinacionais, industriais e financeiras, que irão se re¬forçar e desenvolver durante o século XX. O mercado mundial estava, então, atingindo todos os continentes. A inter¬dependência econômica entre as nações tornou-se evidente em 1929: após a que¬bra da Bolsa de Valores de Nova York, a depressão econômica norte-americana
teve conseqüências negativas no mundo todo. Por outro lado, a Revolução Russa de 1917 e outras ocorri¬das após a II Guerra Mundial retiraram diversos países de uma inserção direta no mercado global. Mas, com o tempo, esses regimes passaram a sentir uma crescente pressão econômica e política e foram se abrindo, gradualmente.

Consenso de Washington

O fim do século XX assiste a um sal¬to nesse processo. Em 1989 acontece a queda do Muro de Berlim, marco da derrocada das nações comunistas no Les¬te Europeu. Nos anos seguintes, esses países serão incorporados ao sistema econômico mundial. A própria integração da economia global acentuou-se a partir dos anos 1990, por intermédio da revolu¬ção tecnológica, especialmente no setor de telecomunicações. A internet, rede mundial de computadores, revelou-se a mais inovadora tecnologia de comunica¬ção e informação do planeta. As trocas de informações (dados, voz e imagens) tornaram-se quase instantâneas, o que ampliou e acelerou em muito o fecha¬mento de negócios.
No cenário globalização, há uma po¬lítica econômica dominante em escala mundial chamada de neoliberalismo, também conhecida como Consenso de Washington. Essa expressão surgiu em 1989, durante uma reunião na capital norte-americana, Washington, no International Institute for Economy, quando funcionários do governo dos Estados Unidos, de organismos internacionais e economistas latino-americanos debatiam um conjunto de diretrizes para que a América Latina conseguisse superar a crise econômica e voltasse a crescer. Era um período difícil para os países latino-americanos, com divida externa elevada, estagnação econômica, inflação crescen¬te, recessão e desemprego elevado. As conclusões desse encontro passaram a ser denominadas informalmente de Consen¬so de Washington, expressão atribuída ao economista inglês John Williamson, ex-funcionário do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional (FMI). Por decisão do Congresso norte-ameri¬cano, as medidas foram adotadas como políticas impositivas cada vez que esses países solicitassem a renegociação de suas dívidas.
Mais tarde, as soluções apontadas no Consenso de Washington tornaram-se o modelo do FMI e do Banco Mundial para todo o planeta. O neoliberalismo prega que o funcionamento da economia deve ser entregue às leis de mercado. Segundo seus defensores, a presença estatal na economia inibe o setor privado e freia o desenvolvimento. Algumas de suas características são:
> abertura da economia por meio da liberalização financeira e comercial e da eliminação de barreiras aos investimen¬tos estrangeiros;
> amplas privatizações;
> redução de subsídios e gastos sociais por parte dos governos;
> desregulamentação do mercado de tra¬balho, para permitir formas de contratação que reduzam custos das empresas.
Historicamente, as idéias do neolibera¬lismo contrapõem-se às do keynesianismo — ideário formulado pelo economista John Keynes (1883-1946), dominante no perío¬do do pós-guerra, a partir de 1945 —, que defendia um papel determinante e uma presença ativa do Estado na eco¬nomia como forma de impulsionar o desenvolvimento (um exemplo da política de Keynes foi o New Deal, adotado nos Esta¬dos Unidos logo após a quebra da Bolsa, em 1929, com maciços investimentos estatais para reativar a economia). Os mais conheci¬dos elaboradores do neoliberalismo são os economistas Friedrich Hayek, austríaco, e Milton Friedman, norte-americano, ambos vencedores do Prêmio Nobel de Economia na década de 1970.
Nas duas últimas décadas, a expansão do comércio resultou na intensificação do fluxo de capitais entre os países. A busca de maior lucratividade levou as empresas a investir cada vez mais no mercado financeiro, que se tornou o epicentro da economia globalizada.
A atual mobilidade do mercado mundial permite, também, que grandes empresas façam a realocação de suas fábricas - nome que se dá ao fechamento de unidades de produção em um local e sua abertura em outra região ou outro país. Esse mecanismo é globalmente usado para reduzir os custos com mão-de-obra, encerrando a produ¬ção em países nos quais os salários são maiores, para organizar a produção onde há menos custos. À medida que as nações vão reduzindo suas barreiras comerciais, a fabricação em qualquer ponto do mundo e a exportação para outros mercados se tornam cada vez mais rentável.
Blocos econômicos

Outro fenômeno importante da eco¬nomia global é a formação de blocos econômicos, como a União Européia, o Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta) e o Mercosul. Os primeiros agrupamentos de nações surgiram com o objetivo de facilitar e baratear a circulação de mercadorias entre seus membros. Sob a economia globalizada, ajudam a abrir as fronteiras de cada nação ao livre fluxo de capitais e pessoas, ao reduzir barreiras alfandegárias, práticas protecionistas e re¬gulamentações nacionais. Existem quatro modelos básicos de bloco econômico:
A) zona de livre comercio, em que há redução ou eliminação de tarifas alfan¬degárias;
B) união aduaneira, que, além de abrir o mercado interno, define regras para o comércio com nações de fora do bloco;
C) mercado comum, que permite a livre circulação de capitais, serviços e pessoas; e
D) união econômica e monetária, em que os países adotam a mesma política de desenvolvimento e uma moeda única.
A formação de blocos econômicos acelerou o comércio mundial. Antes, qualquer produto importado chegava ao consumidor com o valor muito alto, em razão dos rigorosos controles al¬fandegários e das taxações. Os acordos entre os países reduziram essas barreiras comerciais - e, em alguns casos, acaba¬ram com elas -, termo conhecido como liberalização comercial.
O bloco econômico mais importante atualmente é a União Européia (UE), tanto pela força de algumas de suas eco¬nomias - como as da França, da Ale¬manha e do Reino Unido - quanto pela profundidade das relações de seus mem¬bros. A maioria dos países da UE adota uma moeda única, o euro, e dentro do bloco há o livre trânsito da população e da mão-de-obra. Uma das razões para a criação da UE foi a necessidade que os países europeus sentiam de enfrentar a concorrência dos Estados Unidos.
Os norte-americanos reagiram, consti¬tuindo o Nafta e tornando México e Ca¬nadá economias diretamente vinculadas à sua. Depois, com o fracasso da proposta de criação da Área de Livre Comércio das Américas (Alça), adotaram a multiplica¬ção de acordos bilaterais (veja na pág. 70). Os EUA também integram a Apec (Área de Livre Comércio da Ásia e do Pacífico), constituída por Japão, China, Austrália e Chile, entre outras nações.
Na América do Sul, o grande bloco é o Mercosul, criado em 1991 por Brasil, Ar¬gentina, Paraguai, Uruguai e, desde 2006, a Venezuela. Desde a origem, o Mercosul tem nos Estados Unidos seu parceiro prin¬cipal - pelo Acordo 4+1. Quatro anos após sua fundação, o bloco instalou uma área de livre-comércio que isentou de tarifas de importação 90% das mercadorias ali fabricadas. Como resultado, o intercâmbio entre os países saltou de 4 bilhões de dólares em 1990 para 20 bilhões e, 1998.
As negociações comerciais globais, que entraram num impasse completo em 2006, esperam com alguma esperança pela definição do próximo presidente dos Estados Unidos, que toma posse em janei¬ro de 2009. Ele será uma peça-chave para mudar o rumo das negociações ou encerrar de vez a Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC), que desde 2001 tenta chegar a um acordo que avance na liberalização do comércio global.
A OMC foi fundada em 1995, para am¬pliar o comércio internacional. Ela fun¬ciona com rodadas, que duram alguns anos e têm o objetivo de obter acordos sobre pontos determinados do comércio mundial. O que está em discussão no momento são a redução dos subsídios agrícolas dos países ricos e a limitação das tarifas de importação (que dificultam a entrada de produtos estrangeiros nos países). Prevista para acabar em 2006, a rodada não terminou até agora, pois está difícil chegar a um acordo. Na últi¬ma reunião, em 2006, os dois principais representantes dos países emergentes, Brasil e índia, abandonaram os debates ao concluir que os EUA e a União Euro¬péia adotaram posição irredutível sobre algumas práticas comerciais.
Os países em desenvolvimento, cujos principais produtos de exportação são
agrícolas, exigem um corte, dos subsídios que os países desenvolvidos dão a produtores rurais que, no final, barateiam sua produção. Sem esse benefício, os produtos vindos do Terceiro Mundo chegariam bem mais baratos aos merca¬dos dos ricos. Os EUA e os países europeus não aceitam cortar muito, pois querem proteger seus produtores, mas exigem mais facilidades para que seus produ¬tos industrializados entrem nas nações em desenvolvimento (o que prejudica as indústrias desses últimos). Ou seja, sem que os blocos cedam em seus interesses, mantém-se o impasse.
Com isso, como forma de crescer no mercado mundial, reforça-se o foco dos países nos blocos comerciais (que inten¬sificam as trocas no interior de grupos de nações) e em acordos bilaterais, que facilitam o comércio entre duas nações. Pela importância dos Estados Unidos no comércio internacional, há grande expec¬tativa pelo sucessor de Bush, já que, em final de mandato, o atual presidente não tem força nem disposição política para superar o impasse. Quem sabe, o próximo presidente venha com novidades!
O acordo tornou possível a uma empresa montar uma fábrica na Argentina e vender sua produção no Brasil, Paraguai ou Uru¬guai sem custos adicionais. Isso favoreceu a implantação por multinacionais de linhas de produção integradas em diferentes pa¬íses - o que atraiu diversas indústrias para a Região Sul do Brasil, a mais próxima dos vizinhos do Mercosul. Os descompassos entre seus membros, porém, faz o Mercosul viver em permanentes avanços e recuos, mas de olho em oportunidades no mercado mundial. Atualmente, a União Européia e o Mercosul negociam um acor¬do que abra o mercado europeu para os produtos agríco¬las sul-americanos e facilite a entrada de investimentos financeiros e de empresas de tecno¬logia da Europa na América do Sul.

Desigualdades

Os grandes investidores internacio¬nais podem, agora, com o simples acesso ao computador de um banco, retirar milhões de dólares de nações nas quais vislumbram problemas econômicos. Quando os países se tornam excessiva¬mente vulneráveis a esses movimentos bruscos de capitais, organismos inter¬nacionais como o Fundo Monetário In-ternacional (FMI) liberam empréstimos para que possam enfrentar a sangria de dólares. Em contrapartida, os governos beneficiados ficam obrigados a obedecer ao receituário ditado pelo organismo, basicamente o estabelecido pelo Con¬senso de Washington.
Uma das conseqüências disso é que, além de muitas vezes penalizar as popu¬lações carentes, por causa da desativa¬ção ou desaceleração dos investimentos sociais, essas políticas tendem a frear o crescimento econômico, por força da maior carga tributária, do congelamento de investimentos públicos e da elevação dos juros. Assim, a globalização acenou om perspectivas que não se concreti¬zaram. Imaginou-se um mundo plena¬mente integrado e sem fronteiras. Pelas previsões de seus defensores, novas tec¬nologias e métodos gerenciais promove¬riam o aumento geral da produtividade, o bem-estar dos indivíduos e a redução das desigualdades entre as nações.
Não é isso, porém, o que se vê, pois os últimos anos registram aumento das desigualdades no cenário mundial. Um exemplo é a recente crise de alimentos que envolveu cerca de 30 países pobres pelo planeta (veja napág. 24), atingindo de forma particularmente dura os que dependem de ajuda externa. Isso acon¬tece num momento em que O comércio internacional é maior do que nunca, mas existe uma grande concentração da riqueza: apenas nove países (são 194 no mundo) monopolizam mais da metade de todo o comércio internacional .
Com freqüência, as reformas neoliberais não trouxeram progresso, e em muitas re¬giões ocorreu o inverso. Segundo o próprio FMI, os anos 1990 foram "decepcionantes" para a economia da América Latina. De acordo com um relatório de 2005 do órgão, reformas estruturais realizadas estimularam o crescimento, mas não resolveram problemas antigos: o número de pobres aumentou em 14 milhões na década e o Produto Interno Bruto (PIB) per capita caiu mais de 1%, em média, entre 1997 e 2002. Cabe lembrar que as políticas aplicadas nos países da região naquele período foram largamente orientadas pelo próprio FMI.
Na África Subsaariana, a pobreza cresceu muito no período recente. Des¬de 1981, a redução de 13% no PIB per capita fez com que dobrasse o número de pessoas que vivem com menos de l dólar por dia - de 164 milhões para 314 milhões. E, num mercado mundial com uma competição extremamente acirrada, a participação dos países africanos vem caindo nas últimas décadas.
Nas nações da Europa Oriental, o nú¬mero de pessoas que se encontram na miséria atingiu 6% em 2000; antes, esse percentual era quase zero. Na verdade, neste atual mundo globalizado, os países industrializados continuaram prosperando mais do que os emergentes. Se em 1990 a renda média dos 20% mais ricos da eco¬nomia mundial era 60 vezes maior que a dos 20% mais pobres, em 1999 ela já havia passado a ser 74 vezes maior.

Para saber mais leia: Atualidades vestibulares 2009 – Ed. Abril

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