sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Energia - Em busca de novas fontes

Os combustíveis fósseis respondem por mais de 80% da matriz energética mundial, e os países precisam encontrar alternativas s combustíveis fósseis, princi¬palmente o petróleo, moveram a economia do mundo no século XX. Mas, com o progresso e o desenvol¬vimento, trouxeram também problemas: o principal efeito é a emissão de gases poluentes, que reforçam o efeito estufa e o aquecimento global.
Criaram ainda uma dependência, mas essas fontes de combustível têm prazo para acabar, pois demoram milhões de anos para ser criadas pela natureza e suas reservas vêm se reduzindo ou fi¬cando mais inacessíveis à medida que o tempo passa. Por isso, já há algum tempo, o planeta começou uma cor¬rida para o futuro em busca de fontes alternativas de energia, que sejam re¬nováveis e menos poluentes.

Longo prazo

Para problemas como esse, não exis¬tem soluções a curto prazo, pois novas formas de energia exigem décadas de pesquisa e desenvolvimento para se tor¬nar viáveis economicamente. Assim, até 2030, segundo a Agência Internacional de Energia (AIE), o petróleo e os demais combustíveis fósseis continuarão a ser mais de 80% da matriz energética mun¬dial. No entanto, até lá, terão crescimento expressivo as energias renováveis, como a biomassa e a energia nuclear.
Estamos aqui tratando da matriz mun¬dial de energia, que é o conjunto dos recursos energéticos que os países pos¬suem, quanto gastam e em quais usos. Manter a oferta de energia em crescimen¬to e mudar seu perfil quando preciso é um desafio permanente de cada nação.
Países como o Japão e a França, por exemplo, não dispõem de grande volume de recursos hídricos e tem pouco ou ne¬nhum petróleo. Para manterem sua econo¬mia em movimento, importam petróleo e derivados e, para obter eletricidade, usam usinas movidas com petróleo ou energia nuclear. Mas, em períodos de recessão, como o que vivemos desde o fim de 2008, os ventos mudam de direção. Para que lado a retração econômica poderá empurrar a matriz energética global?
O que se vê até agora é que o consumo de energia primária - incluindo petróleo, gás natural, carvão, energia hidrelétrica e nuclear - cresceu apenas 1,4% em 2008, se¬gundo relatório anual da Beyond Petroleum (BP, ex-British Petroleum). Pela primeira vez, o consumo de energia primária dos países em desenvolvimento superou o dos países da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), que agrupa 30 nações, incluindo todas as economias mais ricas do planeta.
A Ásia respondeu por 87% desse cresci¬mento - especialmente carvão, o produto de maior consumo mundial pelo terceiro ano consecutivo. A China detém quase três quartos desse resultado, com 7,2% de aumento interno. Isso é explicado por ter a maior população do planeta, pelo aumento de sua urbanização e - princi¬palmente - pelo crescimento constante de sua atividade econômica.
O que vemos, claramente, nessa nova situação, são as conseqüências da crise econômica sobre os países ricos, com forte impacto negativo sobre suas ati¬vidades, enquanto nações em desenvol¬vimento - mesmo atingidos - sofreram menos até agora.
Eficiência energética
Uma maneira de responder a esses de¬safios é trabalhar melhor com o conceito de eficiência energética, de acordo com o Conselho Mundial de Energia (CME). Isso envolve tanto a produção quanto o consumo de energia.
Perto de 50% do total da necessidade de energia até 2050 poderia ser assegurado com uma melhoria na eficiência, segundo os estudos. Atualmente, existem opções de consumo mais eficientes para trans¬portes e sistemas de aquecimento, mas que são pouco utilizadas, como os carros híbridos e elétricos e o aquecimento solar de água para as residências. Reduzir o custo dessas fontes novas de energia é decisivo para ampliar o seu uso.
O consumo de energia em nível mundial deve dobrar até 2050, prevê o CME. Ao lado da eficiência energética, as decisões a respeito da futura matriz energética global devem ser norteadas pelas exigências in¬ternacionais feitas às nações para diminuir a emissão de CO2 (dióxido de carbono) e outros gases causadores do efeito estufa.
Para preparar esse aumento na produção de ener¬gia, cerca de 22 trilhões de dólares terão de ser investi¬dos em infraestrutura de exploração nos próximos 20 anos, calcula o estudo do CME. Esse valor equivale a cerca de dois anos do PIB dos Estados Unidos. Quase metade dos investimentos será no setor de eletricidade, e concentrado nos países em desenvolvimento, que em 2030 terão perto de 80% da capacidade de produção. Um quarto desse valor irá para o setor de petróleo - exploração e desenvolvimento - e um quarto para o de gás, com ênfase na exploração e no GNL (gás natural liquefei¬to). Mas, com a recessão e a preocupação com o aquecimento global, uma mudança em curso é a tendência de uso dos carros flex, que queimam gasolina e álcool (etanol), produzido a partir da cana-de-açúcar ou de cereais, como o milho.

Substituir é o lema

Trocar a gasolina por etanol e o óleo diesel por biodiesel (produzido com mamona, dendê, soja etc.) tornou-se o lema do momento. Primeiro, porque o petró¬leo é considerado nobre demais como matéria-prima para ser apenas queimado em motores, e também porque o Brasil já mostrou que é possível, com planejamento, substituí-lo com alguma rapidez (poucas décadas). Do ponto de vista ambiental, o etanol é mais limpo do que a gasolina, além de ser renovável e, com planejamento, uma fonte sustentável. A União Européia tem como meta, até 2020, fazer com que 10% de sua frota de automóveis esteja rodando com etanol. Nos Estados Unidos, o objetivo também é ampliar bastante o uso desse combustível.
Quando se observa o setor de trans¬portes, mais de 90% dos combustíveis utilizados no mundo são derivados de petróleo, de acordo com a AIE. É uma dependência muito forte. Mudar os com¬bustíveis no transporte é uma preocupa¬ção do setor. No decorrer deste século, novas tecnologias podem vir a substituir a dos motores de combustão, como a de baterias elétricas de grande potência ou a de motores movidos a hidrogênio.
É lógico reduzir o uso específico de petróleo como combustível, pois existem outros materiais que podem ser emprega¬dos, como o carvão mineral e o gás natural, que - ainda que emitam gases de efeito estufa - servem somente para queimar. Já o petróleo possui vários usos industriais, como a fabricação de plásticos.

Matriz alternativa

Há um esforço global de planejamen¬to das nações para aumentar a oferta de energia e, ao mesmo tempo, frear a emissão de gases de efeito estufa. A grande dificuldade para a adoção ampla de energia solar ou eólica (do vento) é o custo, já que são muito mais caras do que a energia obtida do petróleo.
Assim, há um esforço para o desenvol¬vimento de tecnologia para a geração de energia limpa a custos mais baixos para uso em larga escala. As pesquisas para aprimorar e baratear a energia solar e o hi¬drogênio poderão resultar em uma matriz de energia sustentável, limpa e renovável. Mas é preciso dar tempo. Enquanto isso, os governos investem nas energias co-nhecidas, pois não podem correr o risco de sofrer "apagões" - como se chamou o colapso no fornecimento de energia elé¬trica que atingiu o Brasil em 2001.
Um bom exemplo das possibilidades é a utilização da força do vento. A par¬tir da crise do petróleo, nos anos 1970, os países desenvolvidos começaram a investir em tecnologia para construir usinas eólicas.
Existem atualmente mais de 30 mil turbinas eólicas de grande potência. A União Européia tem como objetivo ele¬var sua produção de energia eólica para 10% do total de sua matriz de geração de eletricidade até 2030.
A capacidade instalada para produzir energia eólica cresceu 26,5% em 2006, segundo dados da BP. Houve ainda aumen¬to de 36% na produção de energia solar e quase 28% na de etanol, além de 1,5% na produção de energia geotérmica - cuja fonte é o calor do subsolo terrestre, captado em países com atividade vulcânica.
ENERGIA RENOVÁVEL
É toda energia pro¬duzida com o uso de recursos naturais que se renovam ou podem ser renova¬dos. O conceito existe em oposição ao da energia não renovável, gerada por combustíveis fósseis, como petróleo, gás natural e carvão mineral, cujas reservas um dia acabarão -já que a Terra necessita de milhões de anos para produzi-los. A mais antiga energia renovável em uso é a queima de lenha, pois replantar as ár¬vores garante seu suprimento. A energia produzida pelo movimento da água (por meio de turbinas, nos rios ou nas ondas do mar), a da luz solar, a dos ventos e a dos biocombustíveis são os exemplos mais relevantes hoje.
ENERGIA LIMPA

É aquela que não polui, ou que polui menos do que as tradicionais. Na produção e no consumo, os exemplos mais comuns são a energia hidrelétrica, a dos ventos (eólica) e a solar. Mas a busca da energia limpa exige pesquisa e aprimo¬ramento constantes. No Brasil, grandes represas hidrelétricas foram construídas, pois sua energia é renovável, mas os projetos deixaram de considerar os danos que sua construção causaria ao meio ambien¬te, e, principalmente, a necessidade de, antes de encher os lagos, retirar as matas. Resultado: debaixo de água, as árvores se decompõem e liberam gases de efeito estufa por dezenas de anos, como ocorre em Itaipu, Balbina e Tucuruí.
O conceito também é aplicado na com¬paração entre produtos: automóveis mo¬vidos a gás natural são considerados mais "limpos" que os movidos a gasolina, pois são menos poluentes.
Atualmente, visando a frear o ritmo do aquecimento global, especialistas de¬fendem a construção de usinas atômicas para substituir ou evitar novas centrais termelétricas movidas a petróleo e carvão. A energia elétrica gerada a partir da fissão nuclear está sendo considerada limpa, porque, apesar de produzir rejeitos que permanecem radioativos por séculos, eles ficam guardados dentro de recipientes especiais e não são liberados no meio ambiente .

ENERGIA SUSTENTÁVEL
É a que mantém um ciclo equilibrado de produção e consumo, porque é gasta numa quantidade e numa velocidade nas quais a natureza pode repô-la. O conceito está diretamente ligado ao de desenvolvimento sustentável: levam-se em conta os fatores ambientais, mas não significa necessariamente energia limpa. A lenha, por exemplo, é um recurso sustentá¬vel quando a madeira é cultivada para esse fim; mas a fumaça de sua queima é tóxica e poluente. Portanto, não é limpa. Várias fontes de energia podem ser ou não susten¬táveis. A água é sustentável desde que seus mananciais e o fluxo sejam preservados, o que implica proteger as matas e evitar que um rio ou uma represa percam volume.
CONHEÇA 05 CARROS MOVIDOS A ENERGÍAS ALTERNATIVAS

(,.,.) Montadoras e engenheiros inves¬tem em alternativas ecologicamente corretas. Confira a seguir algumas tecnologias atuais ou em fase experimentai:
Carro híbrido (...) As pesquisas mais promissoras se concentram nos veícu¬los que são carregados ao serem co¬nectados a um "plug in" e permitem substituir parte do combustível por eletricidade. (...)
Carro elétrico Ainda enfrenta um obs¬táculo grave: falta de autonomia. (...)
Carro biocombustível Utilizados de forma muito desigual no mundo, os biocombustíveis têm seu desenvolvimento prejudicado com o aumento dos preços dos alimentos. (...)
Carro a gás Os carros GPL (gás de pe¬tróleo liquefeito) e GNV (gás natural veicular) são bastante comercializados no Brasil, mas a situação é diferente no resto do planeta. (...) O GNV está limi¬tado em particular por importantes re¬quisitos em termos de armazenamento, manipulação e transporte, o que aumen¬ta a necessidade de investimentos.
Carro a célula de combustível Tecno¬logia dos sonhos, por ser sinônimo de limpeza (...). A utilização do hidrogênio, que não é uma fonte de energia, repre¬senta desafios importantes em termos de transporte e armazenamento. (...)
Portai Gl, 14/6/2008
Matriz brasileira é a nuas equilibrada entre os grandes

MECANIZAÇÃO
Tratores e colheitadeiras fazem o corte da cana-de-açúcar
Entre as grandes economias do mundo, o Brasil tem de longe a matriz de energia mais equilibrada entre fontes renováveis e não renováveis de energia (veja acima). De quebra, o uso de etanol de cana e de biodiesel, além de energia hidrelétrica, torna nossa matriz menos poluente do que as baseadas em combustíveis fósseis.
Em 2008, o total da produção de energia no Brasil aumentou 5,6%. Nesse crescimen¬to, mantém-se um equilíbrio entre as ener¬gias de fontes renováveis e não renováveis próximo a 50%.O uso mundial de energias renováveis é de apenas 12,7%.
Um componente invejá¬vel de nossa matriz é que o país, recentemente, am¬pliou sua produção e redu¬ziu seus gastos de petróleo, além de estar avançando na autonomia nessa área. Também conseguiu ampliar bastante a produção do etanol de cana-de-açúcar. Um estudo feito pelo governo mostra o avan¬ço na diversificação da matriz energética na¬cional. Em 1970, apenas duas fontes de energia (petróleo e lenha) respondiam por 78% do consumo; em 2000, já eram três (somou-se a energia hidráulica). Para 2030, projeta-se uma situação em que 77% da matriz será composta de quatro elementos: petróleo, energia hidráulica, cana-de-açúcar e gás natural.
O estudo também contemplou o concei¬to de eficiência energética em relação ao PIB. A avaliação é que o conteúdo ener¬gético do PIB brasileiro em 2030 será aproximadamente igual ao de 1990, para um resultado quatro vezes maior.
Saiba mais: Atualidades vestibular – editora Abril

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