sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Energia - Brasil e América latina

O Brasil possui um programa nuclear iniciado nos anos 1960 que levou à cons¬trução das usinas Angra I e II e do Institu¬to de Pesquisas Energéticas e Nucleares, que desenvolve produtos para saúde, sa¬neamento básico e pesquisa ambiental. Os acordos realizados para construir as usi¬nas, com os Estados Unidos e a Alemanha, previam um intercâmbio de tecnologia que nunca aconteceu. Em razão disso, o Brasil desenvolveu uma tecnologia pró¬pria para enriquecer urânio, considerada estratégica para aproveitar nossas reser¬vas desse minério (sexto manancial mun¬dial), desenvolver o submarino, baratear o funcionamento das usinas nucleares já prontas e para viabilizar Angra III, que será construída. Hoje, as pilhas de urânio enriquecido de Angra são fabricadas ali perto, nas Indústrias Nucleares do Brasil, em Resende (RJ).
Em 2004, o país enfrentou pressão da AIEA, mas só aceitou uma visita limitada à fábrica de enriquecimento de urânio. Na América Latina, além do Brasil, pro¬duzem eletricidade com energia nuclear apenas a Argentina, com três usinas, e o México, com uma.
Os países investem e buscam fontes
Ser uma matriz energética diversi¬ficada vem sendo uma meta para governos do mundo todo, pois quem depende demais de uma só fonte de energia pode sofrer desabastecimento ou enfrentar crises que afetem a economia, como ocorreu com o choque do petróleo em 1973. Até um passado recente, era bem-vinda qualquer fonte de energia, de preferência a mais barata. Mas nunca, como atualmente, essa diretriz foi tão dirigida à busca de fontes renováveis e, de preferência, limpas.
O último relatório da Agência Interna¬cional de Energia (AIE) acendeu mais uma luz vermelha de preocupações. Segundo a instituição, o aumento do consumo de pe¬tróleo e carvão mineral na China e na índia poderá neutralizar todos os esforços que estão sendo feitos para frear o agravamento do efeito estufa. É necessário acelerar o uso de energias alternativas e, para isso, aumen¬tar os investimentos em novas tecnologias, em cooperação científica e econômica, mudar o consumo e ampliar o mercado de compra de créditos de carbono adotado no Protocolo de Kyoto (veja na pág. 193). Enfim, é preciso acelerar o Plano B.
Novas formas de energia
O vínculo entre meio ambiente e ener¬gia tornou-se mais forte a partir dos anos 1980. Nessa década, ganhou força a necessidade de diminuir a poluição ambiental, que resultou em práticas e programas urbanos para reciclar mate¬riais como alumínio, plástico e vidro. Esse processo deu origem à moderna indústria de reciclagem e a um novo ímpeto de processos que já eram utilizados, como os projetos integrados e auto-sustentáveis de produção agrícola e industrial.
A geração de energia está diretamente ligada a isso. O alumínio e o vidro, por exemplo, exigem grande quantidade de energia em sua fabricação e menos ener¬gia na reciclagem. Nos projetos auto-sustentáveis, as energias renováveis ge¬ralmente estão no coração do sistema, como na agroindústria alcooeíra, na qual o bagaço da cana é queimado para produzir a energia na usina.
O Brasil é um exemplo significativo no cenário internacional, pois nenhum outro país tem a cana-de-açúcar como a segun¬da principal fonte de energia da matriz. Do ponto de vista ambiental, o álcool de cana é considerado mais limpo do que a gasolina, além de ser renovável e, com planejamento, uma fonte sustentável.
Esses três conceitos, aliás, às vezes se confundem. Veja o que significam.

ENERGIA SUSTENTÁVEL - É a que dá sustenta¬ção à produção e ao consumo porque está disponível para o uso no decorrer do tempo - ou seja, é a energia gasta numa quantidade e numa velocidade nas quais a natureza pode repô-la. O conceito está diretamente ligado ao de desenvolvimento sustentável: levam-se em conta os fatores ambientais, mas não significa necessariamente energia limpa. A lenha, por exemplo, é um recurso sustentável, quando a madeira é cultivada para esse fim; mas é um dos piores poluentes do efeito estufa, e a fumaça é tóxica e danosa à saúde, portanto, não é limpa. Várias fontes de energia podem ser ou não sustentáveis. A água é sustentável desde que seus manan¬ciais e o fluxo sejam preservados, o que às vezes implica proteger as matas e evitar que um rio ou uma represa percam volume. Esse conceito dá origem, também, ao de auto-sustentável: por exemplo, usinas de álcool e íiazendas que geram as fontes de energia que consomem (como o bagaço de cana).
ENERGIA LIMPA - É aquela que não polui ou polui menos, na produção e no consumo, e os exemplos mais comuns são a ener¬gia hidrelétrica, a dos ventos (eólica) e a solar. Contudo, a energia limpa é quase uma utopia, que tem de ser constantemen¬te pesquisada, aprimorada e objetivada. No Brasil, grandes represas hidrelétricas foram priorizadas e construídas porque sua energia é renovável - mas os projetos deixaram de considerar a necessidade de retirar antes as florestas e matas nativas.
Como resultado, debaixo d'água, as árvores estão em decomposição e liberam grande quantidade de gases que agravarão o efeito estufa por dezenas de anos, como é o caso de Itaipu, Balbina e Tucuruí.
O conceito também é aplicado na com¬paração entre os materiais: os automóveis movidos a gás natural são considerados mais limpos do que os movidos a gasolina, porque liberam menos gases do efeito estufa.
Atualmente, em razão da urgência em frear o ritmo do aquecimento global, há especialistas que defendem a construção prioritária e acelerada de centrais termo-nucleares para substituir ou evitar novas centrais termelétricas movidas a óleo e carvão. Essa energia está sendo considera¬da mais limpa, porque, apesar de produzir rejeitos que permanecem radioativos por séculos, e o lixo atômico não é jogado na atmosfera nem suja o ar.
ENERGIA RENOVAVEL - é toda energia produ¬zida com o uso de recursos naturais que se renovam ou podem ser renovados. O conceito existe em oposição ao da energia não renovável, gerada por combustíveis como petróleo e carvão mineral, que um dia acabarão. A mais antiga em uso é a queima de lenha, pois replantar as árvo¬res garante o supri¬mento. Mas a ener¬gia produzida pelo movimento da água (em turbinas ou das ondas do mar), luz solar, ventos e biocombustíveis são os exemplos mais relevantes hoje.
Matriz alternativa

Em todo o dossiê, você deve ter notado que há sempre metas para o ano de 2030. E isso não é coincidência, mas resultado de um esforço global de planejamento das nações para enfrentar o desafio futuro: aumentar a oferta de energia, mas frear o aquecimento da atmosfera. O grande impedimento atual para a adoção em larga escala de energia solar ou eólica é seu custo, já que são muito mais caras do que a energia obtida do petróleo.
Por isso, agora há uma aposta na tec¬nologia para desenvolver energia limpa a custos mais baixos para uso em larga escala. As pesquisas com hidrogênio e para aprimorar e baratear a energia solar poderão resultar em energias sustentá¬veis, limpas e renováveis. Mas será pre¬ciso tempo para implementar mudanças na matriz energética. Enquanto isso, os governos investem nas energias já co¬nhecidas, pois não podem correr o risco de sofrer "apagões" - como se chamou o colapso no fornecimento de energia elétrica que atingiu o Brasil em 2001.
Um bom exemplo das possibilidades à frente é a utilização da força do ar. O ser humano usou os ventos para inflar as velas das caravelas e, depois, para mover as pás dos moinhos de cereais. Mas foi só a partir da crise do petróleo dos anos 1970 que decidiu utilizar o vento para produzir eletricidade. É nessa época que os países desenvolvidos começam a investir em tecnologia para construir usinas eólicas.
Segundo o Centro Brasileiro de Energia Eólica, existem atualmente no mundo mais de 30 mil turbinas eólicas de grande potência, e os fabricantes têm registra¬do crescimento de encomendas acima de 30% ao ano. Mesmo assim, a União Européia espera, como meta, elevar sua produção de energia eólica para 10% do total de eletricidade em 2030, e o Brasil, de 0,1% no ano passado para 1% também para 2030. É pouco, pois esta¬mos falando em dezenas ou centenas de megawatts (MW), enquanto o Atlas do Potencial Eólico Brasileiro, elaborado em 2000, aponta para uma estimativa de um potência elétrica eólica no país de 143 gigawatts (GW), unidade mil vezes maior. O Brasil possuí 16 usinas eólicas em operação e outras 16 em construção. O início das obras para montar mais 50 já foi autorizado.
Atualmente, o uso de fontes alternati¬vas de energia, renováveis ou não, com e sem reciclagem, faz parte de um esforço generalizado. O Brasil, por exemplo, há muitas décadas coleta e recicla óleos lubrificantes trocados nos postos de ga¬solina; na Europa, há programas de coleta e reciclagem inclusive de óleo de fritura dos restaurantes para produzir biodiesel. Certamente estamos na liderança mun¬dial no programa de álcool combustível para transportes, mas dezenas de países utilizam etanol como combustível para transportes, e não apenas nós.
Um estudo divulgado pela multina¬cional Beyond Petroleum (BP, ex-British Petroleum), com dados mundiais, revela que a capacidade instalada para produzir energia eólica cresceu 26,5% em 2006. Esse percentual é maior em alguns mer¬cados: quase 43% na América do Norte, 46,5% na América Central e 48% na Ásia e Pacífico. O mesmo estudo indica au¬mento de 36% na produção de energia solar, quase 28% na de etanol e 1,5% na produção de energia geotérmica, que vem do calor no subsolo terrestre.
Plano B de Brasil?
Aumentar o uso de álcool no transporte parece ser mesmo a prioridade da vez. De acordo com o relatório da BP, em apenas um ano a utilização de etanol combustível cresceu 97% na França, 79% na Austrália, 33% nos Estados Unidos e
44% no Canadá. O relatório traz dados de 24 países. Há ressalvas: em oito deles, houve uma redução no uso do álcool combustível, algumas superiores a 50%, como nos casos de Suécia e Itália.
Adicionar álcool anidro à gasolina é uma solução que já estava sendo usada em vários países, porém como paliativo para reduzir a poluição urbana (e com a vantagem de economizar um dinhei¬ro!). Mas passou a ser muito atraente a partir da entrada em vigor do Protocolo de Kyoto, em 2005, da alta de preços do petróleo e do aquecimento do cli-ma. Nesse novo cenário, o Brasil ganha destaque por apresentar respostas para dois problemas: garantir fornecimento do combustível e fabricar carros flexfuel para substituir a frota existente. Para isso, o país se propõe a ampliar e a pa¬dronizar a produção de ambos e trans¬formar o etanol em commodity - ou seja, um produto básico negociado em bolsas internacionais. Com essas diretrizes, o Brasil está atraindo uma grande massa de investimentos internacionais.
Em entrevista ao Atüalidades Vestibular, o engenheiro de produção Leonardo Caio, da Associação Paulista de Cogeração de Ener¬gia, explicou que o setor vem passando por inovações com muita rapidez. Em meados de 2008, estavam em construção 104 usinas, sobretudo em Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e São Paulo, com tecnologias de auto-sustentação muito eficientes para gerar energia ao queimar o bagaço de cana. Em pelo menos 100 das 347 usinas já exis¬tentes no Brasil, todos os equipamentos estão sendo trocados por essa tecnologia.
Viabilizar excedentes de energia como esses faz parte do processo permanente da busca para atender às necessidades de consumo. No ano passado, o Brasil pro¬duziu 219 milhões de tep em energia, mas teve de importar quase 40 milhões de tep. Nos últimos anos, o governo federal defla¬grou diferentes programas e planos, como o Plano Nacional da Agroenergia. Este plano prevê, por exemplo, planejamento, metas e custos da instalação de redes de cabos que ligarão as usinas de álcool ao sistema elétrico. Ele prevê, ainda, que a oferta de eletricidade nova a partir da queima do bagaço de cana suba para 2.170 MW em 2010 e 6.830 MW em 2030.

Bagaço de cana e palha de arroz

Criado em 2002, o Programa de Incen¬tivo ás Fontes Alternativas de Energia Elé¬trica (Proinfa) está ampliando a produção de pequenas hidrelétricas e termelétricas de biomassa agrícola (de bagaço de cana à palha de arroz e resíduos de madeira). Só a produção brasileira de arroz, acima de 10 milhões de toneladas ao ano, produz mais de 2 milhões de toneladas de casca, capazes de gerar de 200 MW a 250 MW de energia, segundo dados oficiais.
O Proinfa organiza, também, o aumento do atual parque eólico brasileiro. Pelos dados do Ministério de Minas e Energia, antes desse programa a produção eóli¬ca era de apenas 28,5 MW de potência instalada, mas, em dezembro de 2006, a potência já atingia 236,8 MW. Em 2006 foram inaugurados os parques eólicos de Osório, de Sangradouro e dos índios, cada um com 50 MW, todos no Rio Grande do Sul; no outro canto do Brasil, no Rio Grande do Norte, começou a funcionar a usina eólica Rio do Fogo, com 49 MW. Os dois estados são conhecidos pela for¬ça de seus ventos. A meta para este ano é acrescentar mais 1.400 MW na nossa matriz com energia eólica.
Um aspecto particularmente importan¬te desse programa é promover a geração elétrica a partir de lixo urbano. Em 26 de setembro de 2007, por exemplo, foi realizado no Brasil o primeiro leilão para a compra de créditos de carbono, previsto pelo Protocolo de Kyoto, por uma ins¬tância pública: a prefeitura de São Paulo. Ela recebeu de um banco holandês 34,5 milhões de reais por 808.450 créditos de carbono de sua sociedade (50%) na usina que gera eletricidade queimando gases produzidos pelo lixo do Aterro Sanitário Bandeirantes. A outra parte, de igual volume, foi vendida pelos sócios. Cada crédito correspondeu a l tonelada de gases do efeito estufa que o aterro deixou de emitir entre dezembro de 2003 e dezembro de 2006. Nesse período, 1,6 milhão de toneladas de gases deixaram de poluir o ar e viraram dinheiro.
A energia solar também está em cres¬cimento no Brasil, tanto com a tecnologia fotovoltaica (para eletricidade) quanto a heliotérmica (para aquecer água). A prin¬cipal barreira é o custo ainda elevado da tecnologia fotovoltaica. Mesmo assim, o governo já contabilizava 30 mil sistemas fotovoltaicos instalados no país até 2004.
Também em 2003 veio o Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel, que pretende abraçar tanto a produ¬ção agroindustrial de larga escala, com soja, quanto os pequenos produtores de mamona, dendê, entre outras plantas das quais se extraem óleos vegetais. O programa prevê a adição contínua de óleo vegetal ao diesel, em proporções e metas anuais, e também está provocando uma corrida de investimentos nesse novo ramo da área de energia.
Brasil - Energia múltipla
O ano passado, 45,8% da energia usada pelos brasileiros veio de fontes renováveis, como a água corrente e a cana-de-açúcar, c o restante, de fontes não renováveis, principalmente petróleo e gás natural. E a matriz mais equilibrada entre as nações mais populo¬sas ou ricas do planeta. A média mundial de uso de energias renováveis é de 12,7%; essa média cai para 6,2% entre os 30 países-membros da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Eco¬nômico (OCDE), que inclui os Estados Unidos e as mais ricas nações do globo. Outro componente invejável de nossa ma¬triz é que o pais, recentemente, equilibrou sua produção e seus gastos de petróleo e contínua avançando nessa autonomia. Neste momento, também consegue ampliar de for¬ma significativa o uso de fontes renováveis de energia. Em 2007, pela primeira vez, a cana-de-açúcar ocupou a segunda posição como material mais utilizado para produzir energia (etanol) em nossa matriz, suplan¬tando a água - ou seja, a energia hidrelétrica, gerada pela força dos rios e das águas represadas. Mas, apesar de a água e a cana serem consideradas recursos renováveis e de o governo estar investindo na produção de energia eólica e em outras fontes renováveis, o Ministério de Minas e Energia prevê que a participação das energias renováveis na matriz até 2030 pode até diminuir em vez de aumentar, o que mostra o tamanho de nossos atuais desafios energéticos.

Desafio crescente

Quando se observa o histórico de energia no Brasil, é de destacar que, não por acaso, o pais foi batizado a partir do nome do famoso pau-brasil e que, como numa premonição histórica, esse nome deriva da palavra brasa (alusão à coloração avermelhada da madei-ra). Somos ricos em recursos renováveis de energia, e, por isso mesmo, a queima de lenha, a opção de energia mais simples e acessível ao ser humano, foi a que mais persistiu no tempo. Ainda recentemente a queima de madeira era um recurso energé¬tico importante na matriz brasileira.
Para ter uma idéia dos desafios à frente: o Brasil possui a quarta maior população mundial, mas o consumo energético em 2007 foi de apenas 1,29 tep por habitante ao ano, enquanto a média mundial é de 1,7 tep/hab. ao ano, e a média dos países ricos é de 4,7 tep/hab. Ainda temos de ampliar muito a nossa oferta de energia.
Segundo previsão oficial deste ano, nossa população poderá chegar a 2030 sendo cer¬ca de 40% a mais do que no Censo de 2000. E preciso, portanto, gerar energiapara esse crescimento de uso, além de buscar cobrir a defasagem de consumo médio por habitante que nos separa do mundo desenvolvido. No cenário mais provável para o estudo acima, o consumo brasileiro per capita deve subir para 2,33 tep/hab em 2030.
Veja este histórico destacado pelo Mi¬nistério de Minas e Energia: "Entre 1940 e 1950, para uma população de cerca de 4 milhões de habitantes, dos quais 69% se concentravam no meio rural, o consumo brasileiro de energia primária era de ape¬nas 15 milhões de tep. Trinta anos depois, em 1970, para uma população de mais de 93 milhões de habitantes, o consumo de energia primária já se aproximava de 70 milhões de tep, valor 4,7 vezes maior. Mais 30 anos, em 2000, a população era quase o dobro, ultrapassando 170 milhões de habi¬tantes, e o consumo de energia se elevava a cerca de 190 milhões de tep, ou seja, um crescimento de quase três vezes."

À evolução da matriz

A primeira usina termelétrica para ilu¬minação pública foi inaugurada em 1883, por dom Pedro II. Mas a antiga matriz de energia do Brasil é marcada princi¬palmente pela queima de lenha, que até o início da década de 1940 gerava nada menos que 80% da energia nacional. Nessa época, o país começou a desenvolver sua estrutura para a indústria de base, com a
inauguração, em 1942, da Companhia Vale do Rio Doce (para extrair minério de ferro e também o carvão mineral), e, após uma crise de abastecimento elétrico, a criação do sistema Eletrobrás e das primeiras represas hidrelétricas de grande porte, como a Companhia Hidroelétrica do São Francisco, no Nordeste, em 1945. Na década de 1950 é fundada a Petrobras.
Daí para a frente, aumentar a geração de hidroeletricidade tornou-se prioridade, e o governo passou a construir represas grandes e gigantes, como as de Furnas, em Minas Gerais (1965), Itaipu, na fronteira do Paraná com o Paraguai (1982), e Tucuruí, no Pará (1984). Na década de 1970, no pe¬ríodo chamado de "milagre econômico", as cidades do país crescem e a eletricidade passa a ter consumo cada vez maior e mais significativo na matriz energética.
Atualmente, o principal potencial hidráu¬lico do Brasil ainda pouco explorado está na Região Norte, onde os desafios ambientais são os maiores já enfrentados. Um exemplo é a usina de Balbina, no Amazonas, considerada um desastre por ambientalistas. A represa alagou milhares de quilômetros qua¬drados de floresta, expulsou comunidades e grupos ribeirinhos e afetou as populações de espécies vegetais e animais. A vazão de água, porém, é pequena, a usina gera pouca energia, mas a emissão de dióxido de carbono (CO2) e de metano (CH2 para a atmosfera, produzidos pela floresta submer¬sa e em decomposição, é dez vezes maior do que a de uma usina termelétrica com a mesma capacidade. O governo, porém, não vê outra via para enfrentar o crescimento do consumo elétrico e encaminha a construção de duas usinas no rio Madeira, Santo Antô-nio e Girau, em Rondônia. Na bacia dos rios Araguaia e Tocantins, o governo discute a construção de 18 barragens, das quais uma está em andamento, a da usina de Estreito, na divisa do Tocantins e do Maranhão.
Na década de 1990, o governo decidiu ampliar o uso do gás natural, seguindo uma tendência adotada mundialmente. Em 1991 iniciou as discussões com a Bolívia para a construção do gasoduto Brasil-Bolívia. Com 3.150 quilômetros de extensão, é um dos maiores do planeta, entrou em operação por trechos, a partir de 1999, e é o principal marco do aumento do uso de gás natural no país. Seu fornecimento se tornou ainda mais importante após o colapso do abaste¬cimento elétrico em 2001 (o "apagão"). Por causa do nível baixo de água nas represas, o governo federal determinou cotas de consumo de eletricidade e encareceu as tarifas, para reduzir a demanda e indenizar as maiores companhias da área.
A crise do "apagão" serviu para que o governo federal acordasse para a neces¬sidade de maior segurança no sistema e montasse o Programa Prioritário de Termeletricidade. Ele definiu e iniciou a construção de cerca de 50 usinas termelé¬tricas, movidas a óleo cru, diesel e gás na¬tural, principalmente ao redor das grandes metrópoles. Essas usinas são acionadas, sobretudo, no início da noite, quando há picos de consumo de eletricidade.
Neste início de século, o Brasil está diversificando mais suas fontes de ener¬gia, para utilizar biomassa na geração de eletricidade e de biodiesel, bem como energia eólica e solar.

Para saber mais leia Atualidades Vestibular – editora Abril

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