sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Carro a álcool faz 30 anos

Em 1979, o mercado automotivo brasileiro recebia os primeiros carros movidos a álcool. A
tecnologia desenvolvida nesse período fazia parte do programa do governo brasileiro para enfrentar a crise causada pelo choque do petróleo.
O carro a álcool brasileiro fez 30 anos. Ele é filho do primeiro choque do petróleo, ocorrido em 1973, quando os países produtores do Oriente Médio - em retaliação ao apoio dos países ocidentais ao Estado de Israel - resolveram cortar as exportações e aumentaram repentinamente a cotação do barril do produto. Com o preço do petróleo nas alturas, a economia mun¬dial entrou em recessão. O Brasil, muito dependente do produto, decidiu investir em outras fontes de combustível.
Pouco depois, o governo federal ini¬ciou dois programas ambiciosos para mudar a matriz de energia: o Programa Nacional do Álcool (Pró-Álcool), que se mostrou estratégico para substituir a gasolina nos transportes, e o Programa Nacional do Carvão (Pró-Carvão), para substituir na indústria a queima de óleo combustível pela de carvão mineral. Esses programas visavam a evitar que o preço em alta dos combustíveis ali¬mentasse a inflação, além de reduzir os gastos com as importações.
Com o Pró-Álcool, o governo promo¬veu e financiou a construção de usinas de álcool. Durante a década de 1980, cresceu a produção de álcool hidrata¬do, que substitui a gasolina no tanque do veículo com motor adequado, e também a de álcool anidro (puro), adicionado à gasolina para fazê-la render mais em volume, com o benefício de reduzir a emissão de poluentes.
A fabricação de automóveis e cami¬nhões movidos a álcool começou em 1979 - inaugurada pelo Fiat 147 - e che¬gou ao apogeu de 1983 a 1988, quando as vendas dos novos veículos a álcool atingiam o dobro dos movidos a gasoli¬na. Nesse período, o consumo anual de álcool carburante chegou a 8 milhões de metros cúbicos ao ano, contra 10 milhões de gasolina.
Mas, a partir de 1989, a fabricação de modelos a álcool e suas vendas declina¬ram. No fim da década, houve uma crise de desabastecimento nos postos, e o governo se viu forcado a importar metanol. O mo¬tivo para isso foi que o preço do petróleo caiu bastante no fim dos anos 1980, e per¬maneceu baixo por toda a década de 1990, apesar da alta momentânea nas cotações no período da Guerra do Golfo, em 1991. Ao mesmo tempo, a cotação do açúcar or vezes tinha forte alta no mercado internacional, tornando mais rentável às usinas utilizar sua cana na produção de açúcar do que na de álcool combustível. O álcool deixou de ter preço atraente para o bolso do consumidor e chegou a faltar ern diversos momentos.
O programa, então, começou a declinar. Em 1990, o presidente Fernando Collor extinguiu o Instituto do Açúcar e do Ál¬cool (IAA), que dirigia o Pró-Álcool. No fim da década, o governo terminou por deixar o setor funcionar pelas regras de oferta e procura do mercado. A produção de veículos a álcool, então, quase acabou. O período, porém, era de crescimento na fabricação e na venda de veículos, com forte impacto no trânsito das grandes ci¬dades e na matriz energética brasileira.
A retomada da alta no pre¬ço do petróleo, no início desta década, reavivou o álcool como combustível alternativo. Com o avanço tecnológico, iniciou-se a produção e a venda de carros com motores flex, em 2003. Nos últimos anos, o álcool com¬bustível voltou a ser consumido em larga escala nos postos e ^^^H cresceu de importância no se¬tor de transportes. O primeiro carro flex foi o Gol Power 1.6, da Volkswagen.
As vendas de carros flex, em apenas cinco anos, atingiram cerca de 70% do total de veículos comercializados, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). As unidades vendidas subiram de 49.264 no primeiro ano para 2.243.648 veículos em 2008; no mesmo ano, fo¬ram comercializados 633.966 automóveis a gasolina.
Os motores flex podem funcionar com álcool ou com gasolina, separadamente ou juntos, e com qualquer quantidade de mistura. Caso falte um tipo de combustível, o ou¬tro pode ser usado sem problema, o que dá segurança ao consumidor. O impacto dessa mudança recente foi grande - e deve continuar assim - na matriz ener¬gética brasileira. Atualmente, os carros movidos simultaneamente a álcool e a gasolina representam 10% da frota de automóveis do Brasil.

Saiba mais: Atualidades vestibular – editora Abril

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