sábado, 10 de abril de 2010

Outros Blocos Econômicos

Enquanto a Europa viabilizava a formação do seu mercado comum, na América e na Ásia, após a Segunda Guerra Mundial, a grande preocupação era conter o socialismo, que começava a se expandir nesses continentes. Associações inexpressivas e com pouca participação na economia mundial, como a Associação Latino-Americana de Livre Comércio (Alalc) e a Associação Latino-Americana de Integração (Aladi), foram as únicas tentativas de integração na América do Sul, voltadas mais para o mercado interno do que para o mercado externo. Com o fim da guerra fria e o acirramento das disputas pêlos mercados mundiais, surgiram na América e na Ásia blocos econômicos que pretendiam ser mais atuantes.

O projeto da Alça

A pretensão dos Estados Unidos de exercer a hegemonia na América não é nova. Desde o século XIX, quando o presidente James Monroe deixou claro que "a América era para os americanos", no famoso discurso conhecido como Doutrina Monroe, essa pretensão vem se acentuando.
Em 1991, com o fim da URSS, o presidente norte-americano, George Bush, trocava a Doutrinada Segurança Nacional, que visava conter o socialismo no continente, pelo projeto "Iniciativa para as Américas". Esse foi o primeiro passo para a formação de uma zona de livre-comércio unindo as economias dos países das três Américas. Serão 34 países americanos, deixando de fora a velha rival dos Estados Unidos - Cuba, de Fidel.
Na Cúpula das Américas realizada em Miami, em 1994, representantes desses países firmaram o compromisso de formar a Alça até 2005. Em 1998, na Segunda Cúpula das Américas, realizada em Santiago, no Chile, formaram-se grupos para a negociação do projeto em vários setores da economia.
No fim de 2000, os Estados Unidos demonstraram querer antecipar a implementação da Alça para 2003. O Brasil foi radicalmente contra essa pretensão. Em abril de 2001, em Buenos Aires, ministros do Comércio de 34 países confirmaram a data para 2005. No mesmo mês, em Quebec, no Canadá, foi realizada a Terceira Cúpula das Américas, para fechar a data final, confirmada para 2005.
O que mais assusta na idéia da criação da Alça é o poder de competição de cada país dentro do bloco. Só vai se beneficiar quem for competitivo, principalmente no enorme mercado de consumo dos educação, que aprimorem a eficiência, são fundamentais no futuro do mercado da Alça. O grande desafio para os outros blocos do continente americano, inclusive o Mercosul, é sobreviver sem ser engolido pela Alça.

Nafta

Em 1988, Estados Unidos e Canadá assinaram um acordo de livre-comércio que recebeu a adesão do México, em 1992. Estava criado o Nafta (Acordo de Livre-Comércio da América do Norte), que entrou em vigor em 1a de janeiro de 1994, prevendo que em 2003 estariam eliminadas as tarifas alfandegárias entre os países membros.
O acordo não tem a intenção de aprofundar a integração entre os países membros, como fez a União Européia. Seus principais pontos podem ser resumidos nos seguintes princípios:
• Eliminar tarifas alfandegárias e obstáculos para a circulação de bens e serviços.
• Garantir condições de competição leal, no interior do bloco, para mão-de-obra especializada.
Os Estados Unidos, indiscutivelmente, dominam o Acordo de Livre-Comércio da América do Norte.

MERCOSUL

A consolidação do Mercosul não fugiu à tendência mundial de integração das nações com a criação de blocos econômicos regionais.
Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai assinaram, em 1991,o Tratado de Assunção, que constituiu o Mercado Comum do Sul (Mercosul}. Em 1995, instalou-se uma zona de livre-comércio, isto é, grande parcela das mercadorias produzidas nos quatro países podia ser comercializada internamente sem a cobrança de tarifas de importação.
Outro importante ponto foi a união aduaneira entre os países membros, que significou a padronização das tarifas externas para inúmeras mercadorias (TECs). Isso significa que todos os integrantes importam produtos e serviços de terceiros, pagando tarifas iguais. Essas medidas visaram integrar a economia e fortalecer a negociação em bloco com os outros países. Em 25 de junho de 1996, na cidade de San Luís (Argentina), os presidentes da Bolívia e do Chile assinaram a adesão desses países ao Mercosul como membros associados. A Bolívia só formalizou sua participação em fevereiro de 1997.

Apec

A Apec (Cooperação Econômica da Ásia e do Pacífico) começou a ser discutida em 1992. Até 2020 está prevista a instalação gradual e a efetivação de uma área de livre-comércio abrangendo países da Ásia, da América e da Oceania, banhados pelo Pacífico. A intenção é aproveitar o crescimento econômico da bacia do Pacífico e da costa oeste do continente americano, uma vez que Estados Unidos e Canadá são países com litoral Atlântico e Pacífico. Dentro da Apec estão incluídos outros blocos, como o Nafta, e blocos menores (Asean, Anzcerta, Pacto Andino).

São membros da Apec:
Japão, Malásia, México, Nova Zelândia, Papua-Nova Guiné, Peru; Rússia, Tailândia, Taiwan, Vietnã, Austrália, Brunei, Canadá, Chile, China, Cingapura, Coréia do Sul, EUA, Filipinas. Hong Kong (China), Indonésia

OUTROS BLOCOS

Antes da criação dos blocos regionais, que movimentam a maior parte do comércio mundial, já existiam associações regionais menores que, se não tinham grande expressão por reunir em sua maioria países pobres, hoje estão praticamente "engolidas" pêlos gigantes da globalização. Outros blocos surgiram nesse período, na esperança de melhorar as economias regionais.
Aladi (Associação Latino-Americana de Integração). Criada pelo Tratado de Montevidéu, em 1980, em substituição à Alalc, que havia sido criada em 1960. A Aladi não teve sucesso em virtude da crise dos países latino-americanos na década de 1980.
MCCA (Mercado Comum Centro-Americano) - Steca (Secretaria de Integração Econômica Centro Americana). O MCCA foi criado pelo Tratado Geral de Integração Econômica Centro Americana, em 13 de dezembro de 1960, tendo por fundadores El Salvador, Guatemala e Nicarágua. Foi ampliado pela adesão de Honduras, em 1962, e da Costa Rica, em 1963.
Em 1993, o Protocolo da Guatemala determinou que a Sieca é o órgão técnico e administrativo para promover a integração entre os países do MCCA. Por esse documento, os países se comprometem a manter a zona de livre-comércio, a união aduaneira e a integração monetária e financeira. A Sieca, atualmente, concentra suas atividades para aperfeiçoar o MCCA e inserir a região no comércio mundial. O Panamá é país associado ao MCCA.
Grupo dos Três. Reúne Colômbia, México e Venezuela, desde 1989, para tentar "a cooperação técnica, cultural e científica" entre os três países.

América

Pacto Andino, também chamado Comunidade Andina (CAN). Criado em 1969 pelo Acordo de Cartagena, reúne atualmente Bolívia, Peru, Venezuela, Colômbia e Equador. O Chile saiu em 1976.0 Panamá participa como observador, Carícom (Mercado Comum do Caribe). Formado em 1973, reúne quinze países e quatro territórios do Caribe. Tem por objetivo a cooperação econômica e política entre seus membros.

África

SADC (Comunidade da África Meridional para o Desenvolvimento). Criada em 1992, ambiciona formar um mercado comum com quatorze países.
Comesa (Mercado Comum dos Países do Leste e Sul da África). Reúne vinte participantes que concordam "em promover a integração regional através do incremento das relações comerciais e do aproveitamento de seus recursos humanos e naturais em benefício de suas populações". O Comesa substituiu, em 1994, a antiga Área de Livre-Comércio do Leste e Sul da África, que existia desde 1985.

Ásia

Asean (Associação das Nações do Sudeste Asiático). Criada em 1967, pretende ser uma zona de livre comércio até 2008. Países membros.

Oceania

Anzcerta (Acordo Comercial sobre Relações Econômicas entre Austrália e Nova Zelândia). Planejado em 1983 para a criação de uma área de livre-comércio entre os dois países. Os membros do Anzcerta assinaram um acordo, em 1995, que prevê a união com a Asean até 2010.

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