sábado, 10 de abril de 2010

O Capitalismo e a Construção do Espaço

Estabelecimentos bancárias, cartões de crédito, talões de cheques, aplicações financeiras, mercados de capitais, cotação das bolsas de valores, do dólar, do ouro... Quem ainda não ouviu ou utilizou essas expressões tão associadas ao dinheiro? Esses termos, que são extremamente comuns no cotidiano das pessoas, na verdade são partes essenciais para o funcionamento do sistema econômico e social que rege o mundo de hoje: o sistema capitalista.
O capitalismo teve origem na Europa, nos séculos XV e XVI, e se expandiu para outros lugares do mundo (Ásia, África, América, Oceania), que estavam sendo incorporados à econo¬mia mundial. Seus principais mecanismos foram sendo alterados para se adaptar ás novas for¬mas de relações políticas e econômicas estabelecidas entre as nações ao longo do tempo.
Para entender melhor a evolução do ca¬pitalismo, vamos considerar três fases prin¬cipais nesse processo:
1ª fase: Capitalismo comercial ou pré-capitalismo
2ª fase: Capitalismo industrial
3ª fase: Capitalismo financeiro ou monopo¬lísta
As duas primeiras fases são caracteri¬zadas pelas relações entre colônias e metró¬poles
Passaremos a seguir a analisar o processo de evolução do sistema capitalista.

O CAPITALISMO COMERCIAL

É o período das Grandes Navegações ou Des¬cobrimentos, quando novas terras - principalmente do continente americano ou Novo Mundo - passa¬ram a fazer parte do mundo até então conhecido: o Velho Mundo. Nessa época países da Europa oci¬dental (Portugal, Espanha, França, Inglaterra e Ho¬landa) obtiveram grandes conquistas territoriais no Novo Mundo e fizeram dos territórios recém conquistados suas colônias.
As regras das relações entre metrópoles e co¬lônias foram estabelecidas pelo Pacto Colonial, segundo o qual a colônia só podia manter relações comerciais com a metrópole. Surgiu, assim, a pri¬meira divisão internacional do trabalho (DIT), caracterizada pelo envio de matérias-primas das colônias para as metrópoles e de produtos manufaturados das metrópoles para as colônias

O CAPITALISMO INDUSTRIAL

Essa fase do capitalismo, que se estende do século XVIII ao XX, foi marcada pela Primeira e pela Segunda Revolução Industrial e pela partilha da África e da Ásia entre as potências colonialistas européias - o imperialismo.
A produção industrial tornou-se a maior fonte de lucro e o trabalho assalariado passou a ser a relação típica do capitalismo: quem recebia salário acabava consumindo os produtos que ajudava a fabricar.
Com o capitalismo industrial, o trabalho tor¬nou-se mercadoria. Aquele que não possuía meios de produção, nem capital, vendia a sua mercadoria, ou seja, a sua força de trabalho.
Nessa etapa, muitas das antigas colônias da América conseguiram sua independência e a indús¬tria se expandia cada vez mais. As metrópoles pre¬cisavam procurar novos fornecedores de matérias-primas e novos mercados de consumo para seus produtos industrializados. As potências européias, então, partiram em busca de novas colônias, dando início à partilha da África e da Ásia. Esse período fi¬cou conhecido como imperialismo.

O CAPITALISMO FINANCEIRO OU MONOPOLISTA

Desenvolveu-se principalmente, após a Primeira Guerra Mundial(1914-1918).
O capital acumulado nas etapas anteriores precisava de outras atividades, além da atividade industrial, para ser multiplicado. Foi quando se desen¬volveram os bancos, as corretoras de valores e gran¬des grupos empresariais e se iniciou o processo de concentração do capital.
A união do capital industrial com o capital de financiamento (bancário) deu origem ao capital fi¬nanceiro, que é a própria essência do capitalismo, caracterizado pêlos mercados de capitais negociados nas bolsas de valores.
Surgem os monopólios e os oligopólios
A concentração de capital nas mãos de poucas pessoas ou empresas trouxe, como consequências, a monopolização e, depois, a oligopolização de vários setores da economia, que passaram a ser dominados por grandes grupos econômicos. O objetivo da união de empresas era enfrentar a concorrência, que ficava cada vez maior.
O monopólio ocorre quando uma empresa do¬mina a oferta de determinado produto ou serviço. Uma forma mais aprimorada de monopólio é o oligopólio, quando um grupo de empresas domina o mercado de determinado produto ou serviço.
Podemos citaras seguintes formas de oligopólio:
- Cartel. Formado por empresas independentes, que fazem produtos semelhantes e têm acordos para dominar o mercado desses produtos, como, por exemplo, montadoras de veículos, empresas de tabaco, de exploração de petróleo, etc.
- Traste. Empresas que abrem mão de sua indepen¬dência, legal e se unem para constituir uma única organização
- Conglomerado. É constituído por empresas que diversificam sua produção para dominar a oferta de certos produtos ou serviços. Geralmente é admi¬nistrado por uma holdíng. Um exemplo de conglo¬merado é uma empresa que atua em vários ramos de produção, como a Mitsubishi, que fabrica car¬ros, televisores, canetas.
- Holdíng. É o estágio mais avançado do capitalismo. Numa holding, uma empresa, criada para administrar outras, possui a maioria das ações. As grandes corporações usam essa forma de administração.

ESTADO - EMPRESÁRIO E PLANEJADOR

Nesta terceira fase do capitalismo, o liberalismo econômico foi perdendo terreno, até ser provisoriamente esquecido, após a crise de 1929, decorrência da queda da Bolsa de Nova York. A partir de então, o Estado assumiu duplo pa¬pel como agente econômico: o de empresário, como proprietário de empresas (estatais), e o de planejador. Assim, passou a intervir diretamente na economia.
O principal teórico e defensor da intervenção estatal na economia oligopolizada foi o inglês John Maynard Keynes (1883-1946). Sua teoria, que ficou conhecida como keynesianismo, propunha a intervenção do Estado na vida econômica com o objetivo de garantir o pleno emprego. O keynesianismo deu início a uma época de importantes programas de in¬tervenção pública, ação social e reativação de indús¬trias nacionais com políticas protecionistas.
Depois da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), o fato mais marcante do capitalismo finan¬ceiro foi a expansão das empresas multinacionais, hoje chamadas, mais apropriadamente, de transnacionais. Essas empresas mantiveram a sede em seu país de origem e abriram unidades de produção em países subdesenvolvidos, em busca de menores custos de matéria-prima, mão-de-obra, incentivos fiscais e mercado consumidor. Foi quando países subdesenvolvidos se industrializaram, como aconte¬ceu com o Brasil.
Na década de 1980, as idéias do liberalismo clássico foram retomadas. Mas, depois da lição da crise de 1929, foram vistas com um pouco mais de cautela.
O neoliberalismo prega a não-intervenção do Estado na economia, a não" ser para controlar as cri¬ses. A política neoliberal cresceu e praticamente dominou a economia mundial na década de 1990

A DIVISÃO INTERNACIONAL DO TRABALHO (DIT)

Acompanhando as mudanças ocorridas com a evolução do capitalismo, as relações entre os países e suas especializações no mercado internacional (DITs) também se modificaram.
A descolonização da África e da Ásia, o surgi¬mento dos países subdesenvolvidos industrializados e a expansão das transnacionais estabeleceram três DITs bem diferentes, que se sucederam durante a fase do capitalismo financeiro. Veja a seguir.
DID do imperialismo. Entre o período que vai do final da Primeira Guerra (1918) até o final da Se¬gunda {1945), algumas potências ocidentais (Ingla¬terra, França e Holanda) ainda mantinham suas colônias na Ásia e na África. Portanto, a divisão in¬ternacional do trabalho permanece a mesma da fase do imperialismo ou do capitalismo industrial.
Matérias-primas iam para as METRÓPOLES - Produtos industrializados iam para as colônias :
Observação: As colônias da América man¬tinham esse mesmo relacionamento com as potências da época, apesar de já estarem independentes politicamente.
Após a Segunda Guerra, duas DITs passaram a conviver na economia mundial e permanecem até hoje: a DIT clássica e a DIT da nova ordem mundial.
DIT clássica. Com a descolonização da Ásia e da África (1947-1975), os novos países surgidos nesses continentes passaram a fazer parte, ao lado das antigas colônias da América, do conjunto dos países subdesenvolvidos. Estabeleceu-se, então, o que denominamos DIT clássica, que caracteriza as relações entre os países desenvolvidos e os países subdesenvolvidos não industrializados.

PAÍSES SUBDESENVOLVIDOS NÃO INDUSTRIALIZADOS - forneciam Matérias-primas para PAÍSES DESENVOLVIDOS, que forneciam produtos industrializados, investimentos e empréstimos para os PAÍSES SUBDESENVOLVIDOS.

DIT da nova ordem mundia

Nesse mesmo período, com a industrialização de alguns países sub-desenvolvidos, uma outra DIT passou a conviver com a DIT clássica. É a que expressa o relaciona¬mento entre os países desenvolvidos e os países subdesenvolvidos industrializados.
Essa nova divisão internacional do trabalho é muito mais complexa, envolvendo o fluxo de merca¬dorias e de capitais, de ambos os lados. Esses países subdesenvolvidos deixaram de ser unicamente for¬necedores de matéria-prima para os países desenvol¬vidos. Observe no esquema as novas relações que se estabeleceram entre eles:
PAÍSES DESENVOLVIDOS fornecem produtos industrializados, tecnologia e capital – empréstimos e investimentos aos PAÍSES SUBDESENVOLVIDOS INDUSTRILAIZADOS, que fornecem matéria-prima, produtos industrializados e capital – lucro das transnacionais, pagamento de juros e da dívida externa, e royalties pela propriedade intelectual.

Um comentário:

  1. Os erros de Português são para pegar os coladores desprevenidos?

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