sábado, 10 de abril de 2010

A Internacionalização do Capital

A Informática e a Nova Economia

O movimento das bolsas de valores na atual fase do capitalismo retrata bem as transformações pelas quais o sistema financeiro tem passado.
Há uma separação no mercado financeiro: de um lado, as empresas tradicionais, medidas pelo índice Dow Jones da Bolsa de Nova York. Do outro, a Nasdaq, da mesma instituição e referente às empresas de computadores, informática e telefonia. O índice Dow Jones mede as ações da Velha Economia e o Nasdaq faz o mesmo com as ações da Nova Economia.
Como Velha Economia, entendemos o mercado das empresas tradicionais: indústrias de automóveis, de tabaco, companhias de petróleo, etc.
Mas a grande novidade da globalização é o que chamamos de Nova Economia. De certa forma, a Nova Economia veio alterar profundamente o mundo dos negócios e o mercado de trabalho. Como reúne as empresas de computadores, a Internet e a telefonia, ela é, em última análise, a responsável pelo processo de internacionalização dos mercados, uma vez que forneceu as facilidades tecnológicas para que isso ocorresse. Na Nova Economia, o dinheiro passa de um lugar para outro ao simples toque de um computador. A Internet é a grande "estrela" desse sistema. Ela pode significar maior contato entre as pessoas ou um maior mercado para as empresas.
Entretanto essa mesma Nova Economia, que trouxe inúmeras vantagens, tem o seu lado negativo. Dependentes de alto investimento de capital e de tecnologia de ponta, as facilidades oferecidas por essas empresas se restringem a uma parcela da humanidade. Países pobres não têm acesso a elas, o que aprofunda mais as diferenças entre países subdesenvolvidos e desenvolvidos. Por outro lado, a tecnologia sofisticada extingue postos de trabalho. É a máquina substituindo o homem. Essa situação fica evidente no uso de caixas eletrônicos pêlos bancos, em estacionamentos que dispensam recepcionistas e em ônibus sem a presença de cobradores. Outras vagas são criadas nas empresas da Nova Economia. Porém é preciso uma qualificação mais apurada para realizar o tipo de serviço que elas requerem. O funcionário que desempenhava funções mais simples, e foi substituído pela máquina, quase sempre não tem condições de assumir nenhum dos novos postos criados.
As chamadas "empresas pontocom", que usam a Internet, principalmente para realizar o "ecom-merce" (comércio eletrônico), foram os destaques na bolsa eletrônica Nasdaq até 1999. Desde então, os tempos mudaram. Passada a euforia, muitas empresas fecharam, demitiram funcionários e colocaram o seu endereço eletrônico na Internet (URL) à venda. A instabilidade dessas empresas parece continuar em 2001.

A Importância das atividades terciárias

Na atual fase da evolução do capitalismo, o setor terciário assume uma importância cada vez maior e suas principais atividades adotam métodos do setor secundário, como a produção em massa e a substituição do homem pela máquina.
Entre as atividades terciárias de grande expansão na economia globalizada, podemos destacar as empresas de telecomunicação, o turismo e o setor de prestação de serviços variados, caracterizado por pequenas empresas e o crescimento da informática e da Internet.
Além disso, oferecem cada vez mais vagas a empregados diferenciados, uma vez que precisam de mão-de-obra mais qualificada e especializada.
Existem indústrias que oferecem suporte técnico a essas atividades, como a produção á softwares na informática e a biotecnologia para as indústrias de alimentos e a agricultura.

As gigantes das telecomunicações

Ramo que se expande cada vez mais, compreendendo telefonia móvel e fixa, Internet, televisão a cabo, emissoras de rádio, rastreamento por satélites, as telecomunicações constituem um dos setores cujos investimentos mais têm crescido nos últimos anos.
No Brasil, o setor era estatizado até a década de 1990. Nos últimos anos, seguindo a política de privatização do governo, empresas transnacionais desses ramos estão expandindo suas atividades no país, como a Telefônica, que pertence a um grupo espanhol.

Turismo
A atividade turística compreende cerca de um terço do total global do setor de serviços, revelando um forte crescimento nos últimos anos.
Várias atividades nesse setor estão ligadas ao turismo: bares, hotéis, restaurantes, museus, galerias, monumentos históricos e igrejas. Agentes de viagens, operadoras, empresas de transporte completam esse mundo que compreende, ainda, as edições de guias para os mais diferentes lugares do mundo (mercado editorial}.
O turismo cria empregos que nem sempre são bem remunerados. Em regiões que recebem muitos visitantes, é inevitável a existência de vendedores oferecendo toda sorte de lembranças e objetos típicos do lugar.
Nos países subdesenvolvidos, a população local, ainda sem formação específica para os empregos oferecidos, procura se beneficiar desses expedientes ou ocupando cargos remunerados com baixos salários.

Com a internacionalização da economia, o turismo de negócios que envolvem eventos, feiras e congressos favorece vários outros setores e torna atraentes cidades que, até então, não despertavam interesses turísticos. É o caso de São Paulo, que realiza quase 74 mil eventos por ano, os quais, em 2000, renderam para a cidade cerca de 2,6 bilhões de reais. O turismo de negócios atraiu para São Paulo investimentos no setor hoteleiro, como as redes Sofitel, Sheraton, Accord, Hyatt, Marriot e outras. Beneficia, também, atividades, como restaurantes, casas noturnas e serviços de táxi.
Á procura por lindas paisagens, ambientes naturais preservados e animais exóticos aquece outro ramo do turismo que está cada vez mais em alta: o ecoturísmo.
As belas paisagens da chapada Diamantina, na Bahia, têm atraído turistas não sã do Brasil, como de outros países.

As pequenas marcas globais

Não são apenas as grandes empresas transnacionais que se internacionalizaram. O mercado de países emergentes, como o Brasil, com grande população e pouca concorrência, tem atraído pequenas marcas que oferecem franquias de serviços, como lavanderias, salões de beleza, lojas de conserto de calçados, academias de ginástica e oficinas me únicas.

Novas estratégias: a terceirização

A estratégia da indústria para obter mais lucro está sempre se aperfeiçoando. Depois das transnacionais, que buscavam vantagens nos países subdesenvolvidos, e das empresas globais, que encomendam seus produtos em países emergentes (NICs), temos a indústria "sem fábrica" em vários setores.
A terceirização é mais uma forma que as empresas encontraram para reduzir seus custos. Consiste em contratar outras companhias para fabricar produtos ou fornecer serviços.
Apesar das vantagens financeiras, quem terceiriza sua produção corre riscos. Além da quebra de sigilo, a empresa contratada pode repassar o serviço a outros e, com isso, haver queda de qualidade. Mas, na verdade, os maiores prejudicados são os empregados, que podem ser despedidos se o setor em que trabalham for terceirizado. Hoje em dia, é muito comum as grandes empresas contratarem prestadores de serviços, como firmas de limpeza, de segurança e preparo de refeições.

A linha de produção do futuro

As indústrias têm vários desafios para o século XXI e algumas delas já estão procurando vencê-los, assumindo algumas mudanças que vão desde o espaço físico e o quadro de empregados até a alta direção e os clientes.
O desenvolvimento sustentável é o maior desafio para as indústrias que deverão poupar água e energia e, principalmente, não agredir o meio ambiente.
Tecnologia, informação e qualidade total são os principais objetivos das indústrias, ao lado do treinamento e da especialização de pessoal. Isso será definitivo para acompanhar as demandas de um mercado que muda com muita rapidez.
A rígida divisão taylorista, não terá mais lugar, pois será preciso uma integração total entre quem pensa e decide e aqueles que executam. Redução de custos, aumento da produtividade e da rentabilidade deverão ser atingidos.

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