sábado, 10 de abril de 2010

Globalização

Embora de uso relativamente recente, o termo “globalização” denomina um fenômeno inerente aos fundamentos e à lógica do capitalismo: a permanente expansão em busca de mercados consumidores, de áreas fornecedoras de matérias – primas e regiões destinadas à aplicações financeiras. Na realidade, a “mundialização” da economia capitalista teve início quando da expansão ultramarina dos Tempos Modernos, ainda no século XV. Hoje, este processo de “planetarização” da economia e dos modelos de organização sociopolítica parece inexorável. De fato, o sistema financeiro já se encontra totalmente “mundializado”: as aplicações financeiras, graças aos rápidos sistemas de comunicação existentes, são transferidas, entre as principais bolsas mundiais, em questão de segundos. Também, os produtos, apesar das cotas de importação e restrições protecionistas ainda prevalecentes, conhecem uma ampla e rápida circulação mundial. A cada dia, a Organização Mundial do Comércio ( OMC ) e o Acordo Geral para Tarifas e Comércio ( GATT, em inglês ) vêm combatendo as medidas restritivas à circulação de gêneros e ampliando o livre comércio. Mais do que nunca, empresas transnacionais vêm produzindo bens similares em várias nações do globo: automóveis, calçados, eletrodomésticos e vestuário são praticamente idênticos em todos os países. Também no aspecto cultural, a “globalização” tem se imposto: programas de televisão, filmes e competições esportivas são acompanhados pela imensa maioria dos cidadãos do planeta, cujos hábitos de consumo e valores estéticos são cada vez mais semelhantes. Lamentavelmente, a “globalização”, nos moldes em que ela ocorre hoje, apresenta uma série de aspectos negativos:
- ampliação das discrepâncias entre as nações desenvolvidas e as subdesenvolvidas – a “mundialização” da economia pressupõe “tecnologia de ponta” (altamente sofisticada) só apropriada e desenvolvida pelas grandes potências, graças aos recursos financeiros investidos na educação e em pesquisas. Os países mais carentes de poupança e ainda vitimados pela existência de analfabetismo e“bolsões” de pobreza não têm condições de acompanhar o progresso tecnológico, tornando – se, cada vez mais, dependentes das nações hegemônicas ou até mesmo excluídos da modernidade. Além
disso, a rapidez das transferências financeiras em escala mundial cria para os países pobres o problema dos capitais voláteis, ou seja, necessitando de recursos cambiais para garantir suas moedas, os governos das nações subdesenvolvidas, além de obrigados a oferecer ao investidor externo altas taxas de juros – sacrificando o poder de compra de seus cidadãos - , correm o risco permanente de “fuga” de investimentos. Ademais, estes são sempre improdutivos, pois não geram riquezas, consistindo em capitais estritamente especulativos;
- o “sucateamento” das indústrias dos países subdesenvolvidos – a liberalização das importações – exigida pelo Fundo Monetário Internacional ( FMI ), pelo Banco Mundial e pela Organização Mundial do Comércio, entidades controladas pelas grandes potências - , a estabilização cambial e a elevação artificial do valor de suas moedas e, por fim, a feroz competição, entre as nações chamadas de “emergentes”, pela conquista de mercados mundiais fazem com que muitos países em desenvolvimento, cuja as indústrias eram beneficiadas por um rígido protecionismo alfandegário, conheçam a dilapidação de seu parque industrial e o aumento do desemprego;
- a concentração da riqueza – a competição entre os países dominantes e as grandes empresas, próprias da lógica do capitalismo, geram cartelização de mercados, com o controle dos grandes oligopólios transnacionais sobre todos os setores econômicos vitais, centralizando o poder econômico nas mãos de alguns poucos grupos. Atualmente, as grandes empresas, interessadas em aumentar sua capacidade de investimento, buscam “fusões” entre elas visando dominar a produção e a oferta de serviços em escala mundial; o desemprego estrutural – tradicionalmente, os surtos de desemprego coincidiam com períodos recessivos da economia mundial. Retomado o desenvolvimento econômico, aumentava a oferta de trabalho. Hoje, conhecemos um fenômeno inédito: altas taxas de desenvolvimento acompanhadas de desemprego. Isto ocorre pelo fato de que as grandes corporações transnacionais, buscando minimizar seus custos e maximizar lucros, produzem, cada vez mais, baseadas em “tecnologia de ponta”, dispensando mão de obra. A informatização e a robotização crescentes são
responsáveis pela tragédia do desemprego hoje experimentada por milhares de trabalhadores. Se a modernização tecnológica, de início, marginalizou os países mais pobres, atualmente assusta operários e técnicos das nações desenvolvidas. Não se pode, portanto, mais falar em “surtos de desemprego”, pois ele é uma conseqüência inevitável da estrutura do atual modelo econômico.
Até os anos 70 do século XX, o capitalismo conheceu a “luta de classes” entre burguesia e proletariado; hoje, o conflito se dá entre os “incluídos” no sistema sócio – econômico, não importando se empresários ou empregados, e os “excluídos”, impossibilitados da aquisição de bens e totalmente destituídos da cidadania.
Nos dias de hoje, a controvérsia sobre a “globalização” criou dois segmentos sociais antagônicos: alguns, normalmente ligados ao empresariado, defendem uma “mundialização econômica” baseada na competição entre empresas e países, já que o capitalismo é altamente concorrencial e monopolizador; outros pregam uma “globalização dos povos”, isto é, uma unificação econômica que beneficie a
sociedade e não somente os capitalistas.
De qualquer maneira, o mundo, hoje, está organizado sobre novas bases. Antigamente, as relações internacionais tinham como agentes os Estados Nacionais, que defendiam os seus interesses, por vezes ideológicos, como ocorreu durante o período da “Guerra Fria”, quando o capitalismo enfrentou o socialismo. Na ocasião, o grande temor mundial era a eventual eclosão da guerra nuclear. Atualmente, são mais relevantes as questões do desenvolvimento econômico, do equilíbrio ecológico e da cooperação
econômica mundial.
Em suma, o capitalismo conhece hoje uma nova etapa de seu desenvolvimento. Inicialmente, mercantil; depois, industrial livre concorrencial; no século XIX, oligopolista e imperialista; em meados do século XX, monopolista de estado e, atualmente, neoliberal, informatizado e pós-industrial. Entretanto, o modo de produção capitalista sempre se caracterizou por flutuações periódicas de expansão e contração econômica. Nikolai Kondratieff (1892 – 1930), economista russo, buscou definir os ciclos das crises capitalistas, hoje denominados de ciclos de Kondratieff. Com a duração aproximada de 40 a 60 anos, cada um desses ciclos apresenta um período de prosperidade, seguido de recessão, depressão e recuperação.
A partir da Revolução Industrial, podemos perceber quatro grandes ciclos da evolução econômica mundia.
O primeiro ciclo se estende de 1782 a 1845. A prosperidade do período foi possibilitada pelas inovações tecnológicas da Primeira Revolução Industrial, ocorrida na Grã-Bretanha. O segundo, de 1845 a 1892, decorreu da Segunda Revolução Industrial, caracterizada pela expansão ferroviária e siderúrgica. Na ocasião, embora a Inglaterra ainda liderasse a economia mundial, outros países começaram a trilhar as vias da industrialização. Além disso, surgiriam os oligopólios, as sociedades anônimas, o sistema financeiro internacionalizado e a corrida neocolonialista, geradora da fase imperialista do capitalismo. O terceiro ciclo, de 1892 a 1948, foi marcado pela invenção do motor a explosão e pelo amplo aproveitamento da eletricidade do petróleo. A nação hegemônica do período foi os Estados Unidos da América, cuja presença geopolítica foi determinante no Pacífico e no Atlântico. Finalmente, o quarto ciclo é baseado na “tecnologia de ponta”, notadamente na eletrônica, na química fina e na biotecnologia.
Atualmente, o capitalismo, principalmente o norte-americano, conhece uma fase de ampla prosperidade e pleno emprego. Entretanto, dado o caráter cíclico das crises capitalistas, o temor mundial é que este momento privilegiado dos Estados Unidos acabe de maneira desastrosa, o que geraria uma recessão mundial..
A economia mundial apresenta, nos dias de hoje, a seguinte divisão mundial do trabalho:
- nações que vendem “tecnologia de ponta”, produzem bens sofisticados e são donas de fabulosos excedentes de capital aplicados em escala mundial (EUA, República Federal da Alemanha, França, etc.);
- paises que adotaram um “modelo econômico exportador” de bens de consumo durável (automóveis, aparelhos de vídeo, etc.), sem grandes investimentos na pesquisa científica e tecnológica, optando por copiar e baratear os produtos das nações tecnologicamente desenvolvidas. Em momentos de prosperidade mundial, o “modelo exportador” gera uma rápida acumulação de capital, ciclicamente interrompida pelas crises recessivas (Japão e os outros “tigres asiáticos”, tais como Coréia, Taiwan, Malásia, Indonésia e Singapura);
- nações capitalistas periféricas exportadora de matérias-primas (Emirados Árabes, República do Congo, Arábia Saudita, etc.);
- nações capitalistas periféricas relativamente industrializadas, caracterizadas pelo baixo investimento em pesquisa, diferenças econômico-sociais marcantes e produção industrial baseada em tecnologia importada (Brasil, México, Índia, etc.);
nações economicamente retardadas, destituídas de industrialização, produtora de gêneros primários para a difícil subsistência de seus habitantes e exportadoras de bens de baixo custo no mercado mundial. Tais países são hoje rotulados de “quarto mundo” (por exemplo, a maioria das nações do continente africano) Como sempre, a mais importante tarefa da humanidade, continua sendo a de edificar uma sociedade
melhor e mais justa, capaz de fornecer a todos saúde, educação, vestuário, habitação e lazer. Três são os obstáculos imediatos à construção de uma comunidade internacional mais harmônica:
- as discrepâncias de padrão de vida entre os países desenvolvidos e os subdesenvolvidos;
- os ódios étnicos e a xenofobia crescentes, até certo ponto reações “tribais” contra a globalização, que vêm fomentando levas e levas de migrantes em todo planeta;
- as questões ambientais, tais como a preservação das florestas, a despoluição dos rios e Oceanos, a preservação da camada de ozônio e a proteção à espécies de animais e vegetais sob ameaça de extinção.

Um comentário:

  1. Este é um tipo de texto que além de nos dar informações históricas sobre a globalização nos leva a ter um pensamanto critico sobre a forma como a sociedade está se encaminhando hoje. Serio ótimo que trabalhassem esse tipo de assunto do dia dia que são as tecnologias, em redes de ensino desenvolvendo a opnião critica dos alunos futuros governantes do país. Nossa educação brasileira por exemplo precisa muito de desenvolvimento da conciencia e da pesquisa de cada ser.
    Jeane, vespasiano Mg estudante do ensino médio da rede publica.

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