sábado, 10 de abril de 2010

A Atividade Industrial No Mundo

A evolução do processo de transformação de matérias-primas em produtos acabados ocorreu em quatro estágios: artesanato, manufatura, indústria e revolução técnico-científica.
A Revolução Industrial (séculos XVIII e XIX), ocorrida na Inglaterra, disseminou-se por outros países da Europa ocidental, pelo Japão, Estados Unidos e Canadá. Várias colônias da Ásia e da África foram ocupadas na busca frenética dos novos "donos" da indústria por matéria-prima e novos mercados de consumo. Essa época ficou conhecida como imperialismo. A nova atividade transformou e agilizou o que antes era chamado de artesanato e manufatura.
Estágio intermediário entre o artesanato e a máquinofatura. Nessa etapa, além do trabalho manual, havia o emprego de máquinas mais simples, divisão do trabalho (cada pessoa desempenhava uma etapa da produção) e o trabalhador era assalariado

ARTESANATO

Foi a primeira etapa da transformação de matérias-primas e ainda permanece hoje, principalmente nos países subdesenvolvidos in¬dustrializados, ou como atívidade artística.
Para a confecção de um objeto, o artesão pode realizar sozinho todas as etapas de trans¬formação da matéria-prima em produto aca¬bado, ou contar com algum ajudante, mas sem caracterizar uma divisão do trabalho.

A Primeira Revolução Industrial

A Inglaterra foi o berço da atividade industrial. O pioneirismo inglês pode ser explicado por alguns fatores ou acontecimentos:
- Acúmulo de capital proveniente do mercantilismo e do colonialismo, na fase do capitalismo co¬mercial (do século XVI ao XVIII},
- O Estado sob o controle da burguesia desde a Revolução Gloriosa (1688), que instalou a primeira monarquia parlamentar.
- Importantes reservas de carvão mineral e minério de ferro.
- Matérias-primas fornecidas pelas colônias, que formavam o maior império na época.
- Excesso de mào-de-obra causado pelo êxodo rural. Máquinas impulsionavam a "nova indústria". A grande novidade foi a máquina a vapor, criada por Thomas Newcomen, em 1712, e aperfeiçoada por James Watt, em 1765. A energia produzida pelo va¬por criou condições para que a nova atividade se de¬senvolvesse, ao mesmo tempo que favoreceu uma grande transformação nos meios de transporte.
O primeiro tear movido a vapor surgiu em 1787, mais aperfeiçoado do que os teares hidráuli¬cos desenvolvidos por Robert Arkwright (1769) e Samuel Crompton (1779) e o tear mecânico de Edmund Cartwright (1785). Essas invenções impul¬sionaram a indústria têxtil, uma das principais atividades desse período, chamado de Primeira Revolu¬ção industrial
A energia produzida pelo vapor também foi aplicada nos transportes mais utilizados na época.
Em 1787, Robert Fulton adaptou-a aos navios e, em 1803, George Stepheson construiu a locomotiva a vapor.
A "nova indústria" (maquinofatura) tem como principal diferencial do artesanato e da manufatura o uso da máquina no processo de fabricação.
Nessa fase, o carvão teve uma enorme impor¬tância como fonte de energia, o que explica a locali¬zação das primeiras indústrias próximo das bacias carboníferas, na Inglaterra, França, Alemanha e Es¬tados Unidos. Mas a atividade industrial não parou aí. Com o passar do tempo, novas técnicas foram criadas, novas formas de produção surgiram e a eco¬nomia mundial passou a girar em torno da indústria.

A Segunda Revolução Industrial

Na segunda metade do século XIX (1860), a indústria assume uma nova "fisionomia", com novas descobertas tecnológicas, novos setores industriais e fontes de energia: o petróleo e a eletricidade. A me¬talurgia, a siderurgia e a indústria de automóveis adquirem grande importância. É a Segunda Revo¬lução Industrial.

NOVIDADES DA SEUGUNDA REVOLUÇÃO INDUSTRIAL

- Processo Bessemer - transformação do ferro em aço, descoberta por Henry Bessemer, em 1856.
- Dínamo - permitiu o uso da eletricidade como fonte de energia para as máquinas. Michael Fara-day construiu o primeiro gerador elétrico por vol¬ta de 1837.
- Motor de combustão interna - aperfeiçoado por Gottlieb Daimler, Karl Benz e Rudolf Diesel, entre 1883 e 1892.
- Telefone - inventado em 1867 por Alexander Granam Bell,

Industrialização original ou clássica

A nova atividade econômica logo se espalhou pêlos países que também reuniam essas condições: França, Alemanha e Itália, na Europa; Estados Unidos e Canadá, na América; e Japão, na Ásia.
O ingresso no "clube" dos industrializados ga¬rantiu a esses países um lugar de destaque na economia mundial e a dominação de um grande número de colônias espalhadas pêlos continentes africano e asiático. Após a independência política, as colônias ainda continuaram na dependência econômica das antigas metrópoles. Reino Unido, França, Alemanha, Itália, Japão, Estados Unidos e Canadá formam hoje o conjunto que reúne as sete maiores economias do mundo (G-7). Possuem um setor industrial comple¬to, com grandes investimentos em tecnologia e suas grandes corporações atuam no mundo todo. Essa pujança industrial reflete-se no comércio mundial, se¬tor em que essas nações se destacam como os maio¬res exportadores.

Novos métodos de trabalho

Para melhor cumprir sua finalidade dentro do capitalismo, isto é, gerar lucro, a indústria procurou aperfeiçoar as formas de trabalho e de produção.
O norte-americano Frederick Taylor inovou com o método conhecido como toylorísmo ou organi¬zação científica do trabalho, que usou pela primeira vez os conceitos de seleção e treinamento de empregados e procurou obter deles a maior produtividade possível, nos primeiros anos do século XX. Segundo Taylor, o empregado deveria executar uma tarefa, com o menor gasto de tempo e energia possível, se¬guindo o que foi determinado pêlos seus superiores. Com isso, além de ficar alienado do processo de pro¬dução como um todo, ele trabalharia mais e o lucro das empresas aumentaria.
Na década seguinte, Henry Ford, o magnata da indústria de automóveis, aperfeiçoou as teorias de Taylor, introduzindo o método conhecido como fordismo, caracterizado pela especialização ao trabalhador, pela linha ãe montagem e pela produção em série.
O fordísmo aproveitou, ao máximo, a força de trabalho e só enfraqueceu, a partir do final do sécu¬lo XX, com a introdução de novos métodos de traba¬lho (pós-fordismo).
Durante a primeira metade do século XX, a produção em série e o surgimento da sociedade de consumo, incentivada pela propaganda, permitiram a formação e o desenvolvimento de grandes empre¬sas que não só se uniram para enfrentar a concor¬rência no mercado, mas também expandiram sua atuaçào além de suas fronteiras originais.
A concentração do capital industrial deu ori¬gem aos monopólios e oligopólios, empresas que dominam o mercado de determinado produto ou serviço.
Após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), inicia-se um novo processo de industrialização, dessa vez nos países subdesenvolvidos. Esse processo é chamado de industrialização tardia e dependen¬te, pois, além de ter acontecido mais de cem anos depois da Revolução Industrial, foi totalmente sus¬tentado pelo capital e pela tecnologia de países desenvolvidos.
Entretanto, a industrialização não ocorreu de forma homogênea em todos os países subdesenvol¬vidos. Foram implementados dois modelos econô¬micos: a industrialização substitutiva de importações (Brasil, Argentina, México, índia e África do Sul) e as plataformas de exportação (Taiwan, Hong Kong — anexado pela China em 1997-, Cingapura e Coreia do Sul), Esses dois blocos especiais de países, conhecidos como Novos Países Industrializados (NICs, sigla em inglês de New Sndustrializing Countries).

A Terceira Revolução Industrial

A invenção do computador (1946) acelerou o processo da informatização e das indústrias ligadas ao setor. A segunda metade do século XX é chamada de Terceira Revolução Industrial.
Nas últimas décadas do século, outras ino¬vações tecnológicas transformaram profundamente a economia industrial. O uso do computador pes¬soal, o conhecimento de novas fontes de energia (so¬lar, eólica, biomassa, das marés), a mudança na or¬ganização do trabalho (pós-fordismo) e o crescente emprego da informática na produção industrial de¬ram uma nova concepção para o termo indústria.
As principais indústrias da Segunda Revolução Industrial (de automóveis, metalúrgica, siderúrgica) ainda são muito importantes, mas as atividades eco¬nômicas que mais crescem são aquelas que "vendem" serviços (informática, telecomunicações, ro¬bótica) e são chamadas de "indústrias inteligentes" ou setor terciário moderno.
Os antigos fatores de localização industrial (fontes de energia, matéria-prima) perdem um pou¬co sua força. As indústrias buscam outras vanta¬gens como incentivos fiscais, mào-de-obra barata, facilidade de transporte e comunicação (infovias). Por isso, ocorreu uma reorganização do espaço in¬dustrial no mundo.
As transnacionais diversificam sua forma de atuação, para reduzir custos e aumentar o lucro. En¬tre essas estratégias, podemos citar as fábricas glo¬bais e a terceirização.

Just in tíme — o pós-fordismo

No século XXI, o fordismo está ultrapassado. A nova indústria precisa de um trabalhador criativo e que participe de todo o processo de produção. Não deve haver mais a rígida separação entre a direção (que pensa) e o operário (que executa). A "li¬nha de montagem" pode ser operada pelo computador e a empresa pode empregar mão-de-obra terceirizada (temporária ou autônoma). Os esto¬ques (matéria-prima e produtos acabados) são calculados levando em consideração as solicitações do mercado, para evitar desperdícios. Aumenta, cada vez mais, a demanda pelo trabalhador qualificado para operar as máquinas e contribuir para a melho¬ria da produção. Esse novo sistema é denominado justin time.

A biotecnologia

A "indústria da vida" é responsável pêlos gran¬des avanços verificados na medicina e na agropecuária.
Se, por um lado, a descoberta de novos remé¬dios ajudam milhares de pessoas, e as pesquisas bio-tecnológicas aumentam a quantidade de alimentos, essas novidades têm suscitado polêmicas e discussões quanto à ética de seus procedimentos. No primeiro caso estão os efeitos que os alimentos transgê-nicos (modificados geneticamente) podem causar no ser humano.
No segundo, discute-se a validade da clonagem de animais e de seres humanos. (Clonagem é um método genético de duplicação de algumas células que dá origem a um indivíduo com o mesmo código genético do primeiro.)
Muitos casais, reconhecidamente estéreis, têm realizado o seu sonho de paternidade, benefi¬ciando-se dos avanços da biotecnologia.
A maior descoberta desse setor foi o mapea-mento genético do homem (o genoma), que deverá contribuir muito para a medicina, uma vez que per¬mite a identificação do gene responsável por deter¬minada doença.

Tipos de Indústria

A classificação das indústrias obedece a crité¬rios diferentes. Pode ser feita de acordo com o bem produzido ou com a tecnologia empregada.

SEGUNDO O BEM PRODUZIDO

Indústrias de bens de produção ou indústrias de base. Produzem bens para outras indústrias, gas¬tam muita energia e transformam grandes quantidades de matérias-primas. As indústrias petroquími¬cas, metalúrgicas, siderúrgicas e as de cimento são alguns exemplos. Entre elas, destacam-se a siderúrgica alemã Mannesmann, a petroquímica francesa Rhodia, a norte-americana Du Pont e a siderúrgica brasileira privatizada CSN (Companhia Siderúrgica Nacional), em Volta Redonda, Rio de Janeiro. As in¬dústrias de base estão instaladas, geralmente, próximo aos locais fornecedores de matérias-primas e de¬pendem de boa rede de transportes.
Indústrias de bens de capital ou intermediá¬rias. São as que produzem máquinas, equipamentos, ferramentas ou autopeças para outras indústrias, co¬mo, por exemplo, a indústria de componentes eletrônicos e a de motores para carros ou aviões. Estão, geralmente, instaladas nos maiores centros urbano-industriais.
Indústrias de bens de consumo. Estão dividi¬das em duráveis e não duráveis. Exemplos de indús¬trias de bens de consumo duráveis: de automóveis, eletrodomésticos e móveis. Não duráveis: vestuário, alimentos, remédios e calçados. São as indústrias mais numerosas, com uma produção voltada para o maior contingente de população. A Ford e a General Electric (EUA), a Nestlé (Suíça) e a Parmalat (Itália) são exemplos de indústrias de bens de consumo.

SEGUNDO A TECNOLOGIA EMPREGADA

Indústrias dinâmicas. São as indústrias da Terceira Revolução Industrial (química, eletrônica, petroquímica, da aviação), que necessitam de muito capital porque usam tecnologia de ponta, porém precisam de mão-de-obra reduzida, mas qualificada. São exemplos de indústria dinâmica: a indústria da informática, a espacial, a aeronáutica, etc.
indústrias tradicionais. São aquelas que es¬tão mais presas aos antigos fatores locacionais, que requerem muita mão-de-obra (não necessariamente qualificada) e empregam métodos da primeira e se¬gunda fases da Revolução Industrial, como as indús¬trias de alimentos e as têxteis.

A localização industrial

Como você pode observar no mapa abaixo, as indústrias não estão distribuídas da mesma maneira em todas as regiões do mundo. Vimos que, favoreci¬dos por determinadas condições, alguns países se in¬dustrializaram antes e que a industrialização não atingiu, até hoje, grande parte do mundo. Essas con¬dições favoráveis ao funcionamento da indústria são os fatores àa localização industrial, entre os quais podemos destacar:
- Capital
- Fontes de energia
- Matéria-prima
- Transporte
- Comunicação
- Água
- Incentivos fiscais
Esses fatores variam de acordo com o tipo de indústria e têm mudado no decorrer dos anos, uma vez que a tecnologia torna a atividade industrial ca¬da vez menos dependente dos fatores de localização.

A dispersão Industrial

Se, em escala mundial, as indústrias estão con¬centradas em algumas regiões, em escala local e re¬gional o que mais ocorre é a dispersão industrial.
As empresas têm "fugido" das áreas mais industrializadas, evitando problemas, como o alto preço de terrenos, impostos pesados, mào-de-obra mais cara, congestionamentos e poluição. A dispersão in¬dustrial tem como consequência a descentralização do capital, do mercado de trabalho e do consumo. Essa mudança tem feito cidades médias crescerem, uma vez que as indústrias preferem sair até mesmo da periferia das grandes cidades.

10 comentários:

  1. Muito bom,mas é muito grande.No próximo vcs diminuem um pouco!

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    1. Não achei que seja grande, ta muito bem resumido. e pra aprender qualquer coisa bem exige de leitura :) fikdik

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  2. muito bom o blog! Estava atrás de um material
    com esse assunto e achei... e devo dizer
    que gostei muito! Parabéns!!

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  3. Gostei do seu texto, mas acho que vc deveria ter citado a a fonte(livro de geografia ensino médio- lúcia marina e Tércio) ;*

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  4. legal mais vc poderia ter resumido mais bjus muito boom parabéns..

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  5. MUITO BOM, ESTÁ DE PARABÉNS, É MUITO DIFICIL ENCONTRAR ALGUM TEXTO CORRETO, DETALHADO E DE FÁCIL COMPREENSÃO NA INTERNET. OBRIGADA.

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  6. Muito Bom !Parabéns o texto é bem explicadinho
    até que fim eu achei um texto bom na internet.Obrigada

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  7. Excelente trabalho, pois me ajudou muito. Obrigada, e continue fazendo trabalhos como esse.

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