sábado, 10 de abril de 2010

Atividade Agropecuária e os Sistemas Agrários

Uma das mais antigas atividades humanas, a atividade agrária passou por profundas transforma¬ções, desde a Pré-História até os dias de hoje. Do estágio de caça e coleta, a humanidade chegou ao plantio, no final do Neolítico (8000-5000 a.C.), desenvolvendo-o inicialmente nas margens dos rios Nilo (Egito), Ganges (índia), Tigre e Eufrates (Mesopotâmia) e Yang-tse-kiang (China). Com a agricul¬tura começa a transformação do espaço natural em espaço geográfico. Desde o início a agricultura foi e ainda conti¬nua sendo praticada de maneiras diferentes, de acor¬do com o lugar e a época em que é desenvolvida. Com o progresso e a descoberta de técnicas modernas, áreas inóspitas puderam ser aproveitadas, como, por exemplo, áreas desérticas, em Israel e na Califórnia, que apresentam excelentes resultados neste setor. Sem dúvida, as grandes mudanças no campo aconteceram com a Revolução Industrial e a conse¬quente revolução urbana, causa do êxodo rural (saída da população do campo para a cidade). Isso influen¬ciou as mudanças radicais que aconteceram nas rela¬ções entre o campo e a cidade, nas últimas décadas. A agricultura foi inserida na economia indus¬trial e passou a ser fornecedora (de matéria-prima e alimento) e consumidora (de máquinas, pesticidas, vacinas, rações para animais) da indústria. Como a indústria não se desenvolveu em todos os países do mundo, além de ter adotado processos diferentes em países desenvolvidos e subdesenvolvi¬dos industrializados, a agricultura também assumiu características diferentes em cada um desses países, após a Revolução Industrial. De modo geral, podemos dizer que a agropecuária diminuiu sua participação no PIB (Produto Interno Bruto) e a mecanização agrícola reduziu a porcentagem de pessoal ocupado. Entretanto, a pro¬dutividade e a variedade são garantidas por técnicas modernas de cultivo e colheita. Nos países subde¬senvolvidos industrializados, a pseudo modernização do campo resultou em um êxodo rural que engrossou as estatísticas de desempregados e miseráveis nas cidades. Países que vivem basicamente da agricul¬tura tentam evitar a fome e manter um modo de vida ligado ao campo.
Principais produtos agrícolas do mundo
A agricultura fornece tanto produtos essenciais à alimentação como matérias-primas para vários tipos de indústria. Clima, tipo de solo e água são fatores favoráveis à produção agrícola, além das facilida¬des tecnológicas de que o país dispõe.

Pecuária: principais rebanhos

Assim como a agricultura, a pecuária também fornece alimentos (leite, carne, ovos) e matérias-pri¬mas (lã e peles) para a indústria. Os principais reba¬nhos do mundo são constituídos de gado bovino, suíno e ovino. A pecuária mundial se apresenta de diferentes formas, que refletem o nível tecnológico dos países, os tipos de clima a que eles estão sujeitos, os merca¬dos consumidores, etc. Predomina a pecuária mo¬derna (uso de tratores, fertilizantes, presença de zoo¬técnicos e agrônomos, gado confinado, pesquisa e manipulação genética, biotecnologia) nos países desenvolvidos — Nordeste dos Estados Unidos, Europa ocidental, Austrália, Nova Zelândia — e em algumas áreas de países subdesenvolvidos industria¬lizados, como o Centro-Sul do Brasil. Nessas áreas, cada vez mais as transnacionais incorporam a pecuária ao espaço das chamadas empresas agrícolas. Em outras regiões do mundo, como a América Latina, a Ásia e a África, a pecuária não conta com todos esses avanços tecnológicos. O gado geralmen¬te é criado solto no pasto, sem maiores cuidados.

Agricultura itinerante

Praticada por famílias pobres que não pos¬suem capital para melhorar sua produção. Essa mão-de-obra familiar, numerosa, desqualificada, que uti¬liza técnicas arcaicas, como o uso da enxada ou a queimada em pequenas e médias propriedades, ou em parte de latifúndios, acaba desgastando o solo e muda-se para outra área. O ciclo se repete, ao se desmatar e queimar essa nova área. O nome itinerante deriva dessa constante mudança. Principais áreas de agricultura itinerante: América Latina, países africa¬nos, Sul e Sudeste Asiático. A agricultura itinerante, praticada com técnicas rudimentares, provoca o esgotamento dos solos.

Agricultura de jardinagem

Agricultura de jardinagem. Cultivo de arroz em Bali, Indonésia. É praticada na Ásia. Japão, Indonésia e Tailândia são alguns dos países onde o arroz é cultivado em pla¬nícies inundáveis e até em áreas montanhosas onde são construídos terraços. As principais características da jardinagem são: escassez de espaço para o plantio, utilização de numerosa mão-de-obra manual, peque¬na propriedade agrícola, elevada produtividade, uso de adubos e irrigação. É uma área policultora, no en¬tanto, entre os maiores produtores mundiais de arroz estão países que praticam a agricultura de jardinagem.

Agricultura moderna

É a agricultura típica de países desenvolvidos, como os Estados Unidos e os países da Europa oci¬dental. Caracteriza-se pelo uso de sementes selecionadas, pequena mão-de-obra, uso intensivo de máquinas, técnicas modernas e caráter empresarial. A agricultura dos Estados Unidos, a mais de¬senvolvida do mundo, organiza sua produção em grandes faixas ou cinturões agrícolas (belts), espe¬cializados no cultivo de determinados produtos (tri¬go, milho, algodão, leite e produtos subtropicais). Grandes propriedades, mão-de-obra familiar e alta mecanização caracteri¬zam os cinturões agrícolas norte-americanos — um sistema controlado pelo agrobusiness.

Plantatíon

É o sistema agrícola típico dos países subde¬senvolvidos, utilizado amplamente durante a colo¬nização européia na África, América e Ásia. As ca¬racterísticas atuais da plantation compreendem o latifúndio (grande extensão rural), a monocultura (cultivo de um só produto) e mão-de-obra barata e desqualificada, com o objetivo de exportação. Exten¬sas áreas agrícolas de países pobres do Caribe conti¬nental pertencem a grandes grupos transnacionais. A plantation ocupa áreas do Brasil, Colômbia, Amé¬rica Central continental e insular, África e Ásia.

Agricultura de precisão (sensoriamento remo¬to), centro de pesquisas em biotecnologia e tecnolo¬gia de informação são expressões muito usadas na agricultura moderna. A agricultura de precisão permite fazer o mapeamento da área plantada, indicando onde é pre¬ciso corrigir o solo. Isso é feito pelo uso de sensores conectados a satélites e tratores equipados com GPS, que envia e recebe sinais dos satélites, o que permite fazer um levantamento da situação da lavoura. A tecnologia de informação é possibilitada pela existência de uma boa rede de telecomunica¬ções. Um pólo de informática produz softwares para uso dos agricultores. Esses métodos modernos de processamento de produção, armazenamento e dis¬tribuição de produtos são essenciais para o agro-busíness. Mas, sem dúvida, os centros de pesquisa de modificação genética e molecular de sementes para aumentar a produtividade, e torná-las mais re¬sistentes a pragas, são a maior novidade da agricul¬tura moderna. É a biotecnologia, responsável pêlos organismos geneticamente modificados (OGM) ou transgênicos, que tantas polêmicas e protestos têm causado.

Em 1999, os países que possuíam maior área cultivada com transgênicos eram: Estados Unidos, Argentina e Canadá. O que fica evidente é que a biotecnologia agrí¬cola não pretende resolver problemas, mas aumentar os lucros dessa atividade. A biotecnologia aumentará mais ainda as diferenças entre agricultores de países ricos e de países pobres, porque suas patentes estão nas mãos de grandes transnacionais.
Agricultura orgânica
Se os transgênicos causam polêmica e são rejei¬tados, um outro tipo de produto agrícola, os orgânicos, está em alta. Esses produtos são cultivados tendo em vista cuidados com o meio ambiente e com a saúde. E verdade que sua produção é mais cara e, portanto, des¬tinada a um grupo específico de consumidores. O NOP (Programa Nacional Orgânico), orga¬nismo que controla esse tipo de produto nos Estados Unidos, só concede o selo "CERTIFICADO OR¬GÂNICO" aos que tiverem 95% de conteúdo orgâni¬co. Os produtos classificados como "naturais" dife¬rem dos "orgânicos" porque precisam apenas não ter aditivos. Isso quer dizer que a carne de frango sem corantes ou conservantes é "natural", apesar de pro¬ceder de animais criados com hormônios e alimenta¬dos com grãos cultivados com fertilizantes químicos.

Tranagênicos: um tiro no escuro

Invasores chegam às prateleira» dos supermercados de todo o mundo, infiltrados na composição de centenas de alimentos. São os chamados trangênicos, organismos geneticamente modificados em laboratórios, já se compõem a receita de inocentes papinhas de bebês, biscoitos, achocolatados, molhos, suplementos, massas e uma infinidade de guloseimas feitas principalmente à base dê milho e soja, cereais que já têm metade de sua produção dominada pelas lavouras transgênicas nos Estados Unidos. As plantas transgênicas são assim chamadas porque recebem um ou mais genes de outro organismo para ganhar características supostamente capazes de melhorar seu desempenho produtivo, sua resistência a pragas e doenças. De olho nos possíveis benefícios econômicos prometidos pelas safras transgênicas, os norte-americanos já disseminaram esses: organismos em 60% dos alimentos processados em seu país. Mas o que essas plantas mutantes poderão causar ao meio am¬biente, na saúde humana e de animais é ainda unia grande especulação em terreno desconhecido.

Um comentário:

  1. Em qual livro do 2º ano do ensino médio eu poderia achar este conteúdo.

    ResponderExcluir